A fabricante alemã de balas e confeitos Haribo encerrará sua única unidade industrial no Brasil em julho de 2026. A fábrica, instalada há cerca de dez anos em Bauru, no interior de São Paulo, emprega aproximadamente 150 trabalhadores diretos, todos sujeitos a demissão com o encerramento das operações. A empresa não abandona o mercado brasileiro, mas passa a atender o país exclusivamente por meio de importações da Europa, modelo que se tornou financeiramente mais viável do que manter produção local.
O custo de produzir no Brasil
A decisão da Haribo reflete um cálculo que outras multinacionais já fizeram antes. Manter uma planta industrial no Brasil implica lidar com carga tributária elevada, complexidade logística, volatilidade cambial e concorrência de produtos importados, especialmente os de origem asiática, que chegam ao mercado a preços significativamente menores. No segmento de balas e confeitos, a pressão é ainda maior: marcas regionais disputam o consumidor pelo preço, enquanto produtos de países com acordos comerciais mais favoráveis ocupam espaço nas gôndolas.
A empresa fundada em 1920, conhecida mundialmente pelos ursinhos de goma Goldbären, havia apostado no potencial do mercado brasileiro de confeitos há uma década. O país consome volumes relevantes de produtos de açúcar, segmento historicamente aquecido. Mesmo assim, a operação não se sustentou.
Tendência que preocupa a indústria
O movimento da Haribo não é isolado. Nos últimos anos, empresas estrangeiras têm optado por transformar o Brasil em mercado consumidor puro, importando o que antes fabricavam aqui. Essa mudança de estratégia elimina empregos industriais, reduz o desenvolvimento de fornecedores locais e enfraquece cadeias produtivas internas. Para o setor de alimentos processados, cada fechamento desse tipo aprofunda a desindustrialização em segmentos onde o Brasil já foi competitivo.
O governo federal tem buscado, por meio da Nova Indústria Brasil, lançada em 2024, atrair e reter investimentos produtivos no país. O programa prevê R$ 300 bilhões em crédito até 2026 para modernização industrial e aumento de competitividade. O fechamento da planta da Haribo em Bauru, no entanto, indica que os estímulos ainda não são suficientes para reverter a equação desfavorável que multinacionais encontram na manufatura brasileira, especialmente em setores de bens de consumo de menor valor agregado.
Os 150 trabalhadores da unidade de Bauru têm até julho de 2026 para o encerramento formal das atividades.

