O Grupo Mateus anunciou o fechamento de 28 unidades de sua rede de supermercados em junho de 2026, demitindo milhares de trabalhadores em um dos maiores processos de demissão em massa do varejo brasileiro no período recente. A empresa, fundada no Maranhão e sediada em São Luís, construiu nos últimos anos uma expansão agressiva pelo Norte e Nordeste, avançando sobre Pará, Piauí e Tocantins. Agora, reverte esse movimento e passa a priorizar rentabilidade e eficiência operacional.
Impacto nas cidades de médio e pequeno porte
O fechamento atinge com mais força municípios menores, onde as lojas do Grupo Mateus funcionavam como um dos principais empregadores formais da região. Em cidades de médio e pequeno porte do Norte e Nordeste, o emprego formal no varejo costuma representar fatia relevante da renda local, e a saída de uma rede desse porte deixa um vácuo difícil de preencher no curto prazo.
Além dos trabalhadores diretos, o encerramento das 28 unidades produz efeito cascata sobre fornecedores industriais, distribuidoras, transportadoras e empresas de logística que mantinham contratos ativos com a rede. Boa parte dessas empresas tem força de trabalho sindicalizada, o que amplia o alcance real das demissões para além dos crachás da própria rede.
Sindicatos cobram cumprimento das verbas rescisórias
Para os sindicatos, o caso reacende um debate recorrente sobre a fragilidade do emprego formal no varejo diante de reestruturações corporativas. As entidades sindicais que representam trabalhadores nas regiões afetadas devem pressionar pela garantia de aviso prévio, pagamento integral das verbas rescisórias e pelo acesso ao seguro-desemprego para os demitidos. A velocidade com que grandes grupos anunciam fechamentos em massa torna o acompanhamento sindical indispensável para evitar que trabalhadores percam direitos na pressa da rescisão.
O Grupo Mateus não divulgou o número exato de demissões nem os estados mais afetados pelo plano de encerramento das lojas. A ausência de dados detalhados dificulta a ação coordenada dos sindicatos regionais e das superintendências do trabalho nas unidades da federação envolvidas.
A empresa figura entre os maiores empregadores privados do Norte e Nordeste do Brasil. Seus papéis são negociados na B3 sob o ticker GMAT3, e a decisão de fechar unidades reflete pressão de investidores por melhora nas margens operacionais, após anos de expansão que priorizaram crescimento de receita sobre lucratividade.

