Depois de mais de uma década marcada pela perda de participação da indústria na economia — a transformação industrial já representou mais de 30% do PIB e hoje gira em torno de 14% — o setor voltou ao centro da agenda econômica nacional. A reativação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI), somada a novos programas de estímulo, marca o início de um ciclo voltado à reindustrialização do país.
A principal diretriz desse movimento é a Nova Indústria Brasil (NIB), estruturada em seis grandes missões estratégicas que incluem transformação digital, descarbonização, fortalecimento das cadeias agroindustriais e inovação tecnológica.
O plano conecta política industrial às demandas reais da economia, com foco em competitividade, produtividade e transição sustentável.
O pacote inclui instrumentos econômicos decisivos. Entre eles, a Depreciação Acelerada, que permite a amortização mais rápida de máquinas e equipamentos; a Letra de Crédito ao Desenvolvimento (LCD); e novas linhas de crédito para inovação e modernização industrial, como o BNDES Mais Inovação e o programa Mais Produção.
A combinação reduz custo de capital e incentiva a renovação tecnológica do parque fabril.
Outro marco foi a aprovação da Reforma Tributária, que elimina a cumulatividade de impostos, simplifica o sistema e traz maior segurança jurídica.
O impacto direto é a redução de distorções que encarecem a produção nacional, além de desonerar exportações e abrir espaço para novos investimentos privados.
Para um setor intensivo em capital como o de máquinas e equipamentos, a simplificação tributária, em tese, tende a reduzir custos e acelerar projetos industriais.
A agenda também está conectada ao avanço dos investimentos privados.
Em 2025, a indústria de máquinas anunciou intenção de investir R$ 8,35 bilhões, alta de 4,04% sobre o ano anterior, com 38,2% das empresas priorizando modernização tecnológica — uma convergência direta com os objetivos da política industrial.
Com incentivos financeiros, reformas estruturais e uma estratégia voltada à inovação, o governo reposiciona a indústria como protagonista da retomada econômica.
O desafio agora está na execução: transformar políticas em produtividade real e recuperar parte do espaço perdido no PIB ao longo das últimas décadas.
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