Garantia estendida em máquinas pode se tornar tendência na indústria brasileira

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Em 2025, no mercado industrial brasileiro, um tema ganhou força entre fabricantes e compradores de equipamentos: a possibilidade de adotar garantias mais longas para máquinas novas, nos moldes do que já acontece no setor automotivo.

A discussão importa porque pode mudar completamente a relação de confiança, pós-venda e manutenção no parque fabril do país, trazendo segurança operacional para empresas e novas oportunidades de receita para fabricantes.

Hoje, carros zero quilômetro já oferecem garantias de até cinco anos, e algumas montadoras incluem planos de manutenção preventiva no pacote.

Esse modelo reduziu o risco percebido pelo consumidor, aumentou o valor agregado do produto e ampliou o relacionamento de longo prazo entre cliente e fabricante.

O resultado foi claro: mais fidelização, mais revisões realizadas na rede autorizada e maior giro de peças e serviços.

No setor de máquinas industriais, porém, a realidade ainda é outra. A maioria dos equipamentos sai de fábrica com garantia padrão de 12 meses, cobrindo apenas defeitos de fabricação.

Manutenções programadas, reposição de consumíveis e suporte contínuo raramente fazem parte do contrato inicial, o que transfere boa parte do risco para o comprador. Para quem depende da máquina para produzir, qualquer parada inesperada pode significar perda de produtividade, horas paradas e custos elevados.

Uma política de garantia estendida poderia alterar esse cenário. Com contratos de três a cinco anos, o comprador teria previsibilidade sobre operação e manutenção, reduzindo o medo de falhas e aumentando a confiança na aquisição de uma máquina nova.

Além disso, a garantia poderia incluir serviços como inspeções periódicas, calibração, troca de filtros, ajustes e até acompanhamento remoto do desempenho do equipamento.

Para o fabricante, o modelo também é vantajoso. Ao manter a máquina sob seu ciclo de cuidado, ele cria um fluxo recorrente de receita com peças, consumíveis e serviços especializados.

Ao mesmo tempo, reduz o churn entre clientes, mantém o relacionamento ativo e coleta dados técnicos sobre desgaste e comportamento do equipamento — informações valiosas para desenvolvimento de novos produtos e upgrades.

Outro ponto é o posicionamento de marca.

Assim como no setor automotivo, uma garantia longa pode se tornar diferencial competitivo, reduzindo objeções na venda e acelerando o ciclo de decisão. Em um mercado onde investimentos são altos e máquinas podem operar por décadas, confiança é um ativo comercial poderoso.

O debate sobre garantias estendidas indica um movimento claro: a indústria está caminhando para modelos mais orientados ao serviço. Quem se antecipar pode transformar a venda de máquinas em um negócio contínuo, previsível e mais rentável.

Marcos Almeidahttps://galpaodasmaquinas.com.br/noticias
Marcos Almeida é jornalista especializado no setor industrial, com foco em expansão fabril, investimentos produtivos e tecnologia para manufatura. Há mais de dez anos acompanha de perto os movimentos das indústrias brasileira e internacional, cobrindo anúncios de novas plantas, modernização de fábricas, lançamentos tecnológicos e indicadores econômicos que impactam o setor

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