Fusões e aquisições globais devem superar US$ 3 trilhões em 2026, com energia e tecnologia industrial na liderança das transações

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O mercado global de fusões e aquisições vive um momento de retomada consistente em 2026, segundo relatórios publicados pela PricewaterhouseCoopers (PwC) e pela Deloitte, duas das maiores consultorias do mundo. A PwC, em levantamento divulgado em janeiro, projeta que o volume total de transações ao longo do ano deve superar US$ 3 trilhões, o que representaria uma recuperação expressiva após anos marcados por juros elevados nos Estados Unidos e na Europa, volatilidade cambial e instabilidade geopolítica ligada aos conflitos no Leste Europeu e no Oriente Médio.

Energia e indústria no centro das movimentações

A PwC aponta energia, tecnologia industrial, manufatura avançada e infraestrutura digital como os segmentos com maior concentração de negócios esperada para 2026. O movimento é puxado, segundo a consultoria, pela necessidade de consolidação de cadeias produtivas e pela disputa por ativos ligados à transição energética e à aplicação de inteligência artificial na indústria.

No setor de petróleo e gás, a Deloitte publicou em abril um relatório específico que reforça a tendência: as grandes companhias do setor estão desinvestindo em ativos de alta emissão de carbono e comprando participações em projetos de gás natural, biocombustíveis e energia de baixo carbono. Shell, BP, ExxonMobil e TotalEnergies estão entre as empresas que redefinem seu perfil estratégico por meio dessas operações, segundo a Deloitte.

O que isso significa para o Brasil

As movimentações entre gigantes internacionais têm efeito direto sobre o setor industrial brasileiro. Fusões e aquisições desse porte costumam provocar mudanças em cadeias de fornecimento globais, o que tanto abre oportunidades quanto pode fechar contratos para empresas nacionais integradas a essas redes, especialmente nos segmentos de mineração, petroquímica, agronegócio e manufatura de alta tecnologia.

O Brasil ocupa posição relevante em alguns desses mercados. A Petrobras, por exemplo, mantém acordos e parcerias com várias das majors citadas pela Deloitte. Reorganizações estratégicas dessas companhias afetam diretamente decisões de investimento, fornecimento e tecnologia no país.

A retomada do apetite por aquisições também chega num momento em que o custo do capital no Brasil permanece alto, com a taxa Selic em patamar restritivo, o que coloca empresas brasileiras em posição assimétrica em relação a concorrentes internacionais que operam com crédito mais barato em seus mercados de origem. Segundo dados do Banco Central, a Selic estava em 13,25% ao ano em abril de 2026, enquanto o Federal Reserve americano operava com juros entre 4,25% e 4,5%.

O relatório da PwC foi publicado em janeiro de 2026 e o da Deloitte sobre petróleo e gás em abril do mesmo ano, ambos com base em dados consolidados de 2025 e projeções para os próximos 12 meses.

Marcelo Costa
Marcelo Costahttps://galpaodasmaquinas.com.br
Marcelo Costa é redator especializado em conteúdos voltados ao universo empresarial, industrial e de engenharia. Com experiência na produção de textos informativos e analíticos, atua na cobertura de notícias relevantes do setor produtivo, acompanhando tendências, movimentações de mercado e avanços tecnológicos que impactam diretamente empresas e profissionais da área. Seu trabalho é focado em transformar informações técnicas e dados complexos em conteúdos claros, objetivos e úteis para o dia a dia de empresários, gestores e operadores. Ao longo de suas publicações, busca não apenas informar, mas também contextualizar os acontecimentos, destacando oportunidades, riscos e mudanças que podem influenciar decisões estratégicas. No blog, Marcelo aborda desde atualizações do cenário industrial até inovações em engenharia, novos investimentos, fusões, aquisições e mudanças regulatórias. Seu compromisso é entregar conteúdo confiável, direto ao ponto e alinhado com a realidade de quem vive o mercado na prática.

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