Em debate realizado em abril de 2026, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), Paulo Skaf, reforçou a posição da entidade contra alterações compulsórias na jornada de trabalho, com foco direto na discussão sobre o fim da escala 6×1 que avança no Congresso Nacional. Para Skaf, as negociações devem ocorrer entre empregadores e trabalhadores, respeitando as particularidades de cada setor. O pano de fundo, porém, é mais amplo: a indústria teme que mudanças unilaterais na legislação trabalhista elevem custos operacionais em bilhões de reais sem contrapartidas claras de produtividade.
O custo de uma mudança compulsória
A escala 6×1 é amplamente utilizada na indústria e no comércio brasileiro. Uma eventual proibição exigiria a contratação de novos trabalhadores para cobrir as lacunas de escala, encarecendo folhas de pagamento já pressionadas por encargos elevados. Um levantamento setorial sobre o varejo de Campinas projetou alta de R$ 416 milhões apenas naquele município, o que dá dimensão do impacto potencial em escala nacional.
A FIESP congrega mais de 130 sindicatos patronais e responde por parcela expressiva do PIB industrial do país. A entidade não é contrária, em princípio, a mudanças nas relações de trabalho, mas rejeita a via legislativa impositiva. O argumento central é que negociações coletivas já permitem adaptações adequadas a cada setor, sem necessidade de uma regra única aplicada de forma horizontal.
Informalidade como distorção competitiva
Skaf aproveitou o debate para colocar outro tema na mesa: a informalidade trabalhista. Segundo dados do IBGE, cerca de 40% da força de trabalho brasileira ainda está fora da formalidade. Para a indústria organizada, que recolhe integralmente os encargos trabalhistas e previdenciários, essa fatia representa uma distorção competitiva estrutural. Empresas informais operam com custos menores, o que pressiona as margens de quem cumpre a legislação.
Na visão da FIESP, qualquer debate sério sobre condições de trabalho no Brasil precisa enfrentar esse dado antes de impor novas obrigações às empresas já formalizadas. Ampliar encargos sobre quem já está no sistema sem reduzir a informalidade, segundo a entidade, aprofunda a assimetria competitiva em vez de corrigi-la.
O posicionamento ocorre em momento de recomposição política após as eleições de 2026, quando o tema da escala 6×1 ganhou força no debate parlamentar. A FIESP, historicamente atuante nos corredores do Congresso, sinaliza que pretende barrar ou ao menos condicionar qualquer mudança legislativa a mecanismos que preservem a liberdade de negociação entre as partes. Segundo o IBGE, a taxa de informalidade no Brasil ficou em 38,6% no quarto trimestre de 2025, afetando cerca de 39 milhões de trabalhadores.

