Em Fife, na Escócia, foi anunciado que a ExxonMobil irá encerrar, em fevereiro de 2026, a operação da planta de etileno de Mossmorran, uma das mais tradicionais unidades petroquímicas do Reino Unido.
A decisão atinge diretamente cerca de 179 funcionários permanentes e aproximadamente 250 contratados.
O fechamento acende um alerta global para o setor industrial, mostrando que até grandes plantas consolidadas podem se tornar inviáveis diante de custos crescentes e políticas pouco favoráveis.
A ExxonMobil afirmou que o ambiente econômico atual, combinado com custos elevados de fornecimento e baixa competitividade operacional, tornou o futuro da planta insustentável.
A empresa avaliou cenários de modernização, venda e reorganização, mas concluiu que seriam necessários cerca de US$ 1 bilhão em investimentos para manter a unidade ativa — valor considerado incompatível com o retorno esperado.
A planta de Mossmorran opera há aproximadamente quatro décadas e já foi responsável por volumes expressivos de etileno, essencial para a fabricação de plásticos, solventes e uma série de produtos petroquímicos.
A queda na oferta de etano no Mar do Norte, principal matéria-prima da unidade, aumentou significativamente os custos, comprometendo ainda mais a competitividade da operação.
Além disso, fatores como preços altos de energia, regras ambientais mais rígidas e taxas sobre carbono contribuíram para pressionar o modelo de negócios.
Somados, esses elementos tornaram a operação menos atrativa que plantas similares em regiões com energia mais barata e logística mais eficiente.
O impacto regional é profundo. Mais de 400 empregos diretos e indiretos podem ser afetados, além de serviços de manutenção, transporte, engenharia e fornecedores que dependiam da planta.
O governo escocês pediu mais diálogo e criticou a falta de flexibilidade da empresa, mas reconhece que o mercado petroquímico enfrenta transformações estruturais.
Para o setor industrial global, o episódio reforça a necessidade de revisar modelos de custo, acesso a insumos e eficiência energética. Plantas intensivas em capital e energia tendem a ser as primeiras a sentir impactos da perda de competitividade.
O caso também alerta países emergentes: competitividade regulatória, energética e logística será decisiva para atrair ou manter grandes complexos industriais nos próximos anos.
O fechamento da unidade da ExxonMobil mostra que até operações históricas podem chegar ao fim quando o cenário econômico e tecnológico deixa de sustentar sua existência.

