O setor brasileiro de máquinas e equipamentos fechou 2024 operando em um novo patamar internacional. A corrente comercial — soma de exportações e importações — atingiu USD 42,6 bilhões (aproximadamente R$ 229,3 milhões), o maior volume já registrado pelo setor e um marco histórico para a indústria nacional.
O resultado foi impulsionado principalmente pela expansão das importações, que cresceram 11% em relação a 2023, alcançando o maior volume da série histórica. Esse avanço refletiu a demanda crescente do mercado interno por máquinas, equipamentos industriais, componentes e tecnologia, indicando aumento da atividade produtiva em diversos segmentos.
Mesmo com a entrada maior de produtos estrangeiros, o desempenho das exportações chamou atenção. Em 2024, o Brasil embarcou USD 13 bilhões em máquinas e equipamentos, valor apenas 6% abaixo do recorde de 2023 e suficiente para consolidar o segundo maior volume exportado dos últimos 28 anos.
Na prática, o país manteve sua presença competitiva no mercado global mesmo diante de um cenário internacional de desaceleração industrial.
Os destinos das exportações mostram um mapa concentrado em mercados estratégicos. Estados Unidos lideram com 27% das compras brasileiras, seguidos por Argentina (9%), Singapura (6%), México (6%) e Paraguai (5%).
Juntos, esses países responderam por 53% de todo o volume exportado pelo setor. A América do Sul, somada à presença crescente nos EUA, indica um eixo sólido de demanda regional e hemisférica.
Entre os produtos mais exportados, três categorias se destacaram: máquinas rodoviárias (23,6%), máquinas agrícolas (11,1%) e motores e grupos geradores (8,7%), que somadas representaram 43,5% da pauta exportadora.
Esses números confirmam a vocação brasileira para equipamentos associados à construção, infraestrutura e agronegócio.
Apesar do avanço, o setor manteve déficit comercial de USD 16,2 bilhões, resultado da diferença entre exportações e importações.
Porém, especialistas apontam que, diante do aumento da demanda interna, parte desse déficit reflete a necessidade de ampliação da capacidade produtiva e modernização da indústria nacional — fatores que podem estimular investimentos no médio prazo.
Com recorde na corrente comercial, crescimento de dois dígitos nas importações e a segunda maior marca de exportações em quase três décadas, o setor de máquinas e equipamentos encerra 2024 consolidado como um dos pilares da inserção internacional da indústria brasileira.
O patamar alcançado indica que o país passou a jogar em uma escala maior — e com oportunidades de expansão tecnológica, produtiva e comercial nos próximos anos.

