Os Estados Unidos anunciaram uma lista de exceções tarifárias que retira 471 produtos brasileiros da incidência de uma alíquota de 37,5%, parte do pacote de “tarifas recíprocas” que a administração Trump consolidou ao longo de 2025 e 2026. A decisão tem efeito direto sobre a pauta de exportações industriais do Brasil: os itens excluídos foram classificados pelo governo americano como estratégicos para sua própria cadeia produtiva, o que expõe o grau de dependência que setores industriais dos EUA mantêm com fornecedores brasileiros.
O que está na lista e por que isso importa
Entre os produtos tipicamente contemplados em listas desse tipo figuram insumos industriais, componentes eletromecânicos, produtos siderúrgicos semiacabados, químicos especiais e manufaturados de alto valor agregado. São segmentos nos quais a indústria brasileira construiu competitividade ao longo de décadas e que respondem por volumes expressivos nas exportações nacionais. Os Estados Unidos historicamente figuram entre os três maiores destinos dos manufaturados brasileiros, com transações que superam dezenas de bilhões de dólares por ano.
Para fabricantes e exportadores, a exclusão da tarifa de 37,5% não é detalhe operacional. É a diferença entre manter contratos e perdê-los para concorrentes asiáticos ou europeus que também disputam espaço no mercado americano.
Diplomacia econômica coordenada
A manutenção dessas exceções não é casual. A Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Apex-Brasil e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) vêm atuando de forma coordenada junto ao governo americano para garantir que produtos de maior valor agregado permaneçam competitivos nos EUA. O objetivo declarado é evitar que a pressão tarifária force a pauta exportadora brasileira a regredir para commodities de menor valor agregado.
O contexto geopolítico favorece essa estratégia. Desde 2025, o acirramento das disputas entre Estados Unidos, China e União Europeia abriu espaço para o Brasil se posicionar como fornecedor confiável e neutro para parceiros ocidentais. A conquista de exceções tarifárias virou, nesse quadro, prioridade tanto de política industrial quanto de diplomacia econômica.
O que empresas precisam monitorar agora
Para o setor privado, o passo imediato é mapear quais NCMs (Nomenclatura Comum do Mercosul) constam da lista publicada pelos EUA. Essa verificação orienta decisões de precificação, renegociação de contratos de longo prazo e eventuais ampliações de capacidade produtiva voltada ao mercado externo. Produtos fora da lista ficam sujeitos à alíquota cheia de 37,5%, o que pode inviabilizar operações já contratadas ou em negociação.
A medida foi divulgada em 24 de julho de 2026, e os 471 itens excluídos da sobretaxa estão detalhados na relação oficial publicada pelo governo norte-americano, acessível para consulta por código tarifário.

