A Danfoss apresentou em novembro de 2025 o motor elétrico Editron de 48 volts desenvolvido especificamente para acionar bombas de engrenagens hidráulicas em máquinas elétricas e equipamentos off-highway. O lançamento atende a um segmento que vem crescendo com a eletrificação de frotas na construção civil, na mineração, na agricultura e na logística, setores que ainda dependem de sistemas hidráulicos movidos por motores a combustão interna acoplados a bombas de deslocamento positivo.
Por que 48 volts
A escolha da tensão de operação não é arbitrária. O padrão de 48 volts está se consolidando em veículos comerciais leves e máquinas de médio porte porque permanece abaixo do limiar de alta tensão regulatório em grande parte dos mercados globais. Isso reduz as exigências de certificação e simplifica a integração elétrica nas plataformas dos fabricantes de equipamentos, o que tende a diminuir o custo total de adoção da tecnologia. Em termos práticos, o fabricante de uma máquina compacta consegue incorporar o motor Editron sem precisar redesenhar toda a arquitetura elétrica do veículo para atender normas de alta tensão.
A tecnologia eletro-hidráulica, combinação de acionamento elétrico com sistemas hidráulicos, é tratada pela indústria como uma das principais rotas de descarbonização para máquinas pesadas que ainda não comportam eletrificação total pelas limitações de densidade energética das baterias atuais. O novo motor da Danfoss se encaixa diretamente nessa lógica: mantém a função hidráulica, mas substitui o motor a combustão no acionamento da bomba.
Histórico da divisão e posição no mercado
A divisão Editron da Danfoss já acumula histórico em sistemas de propulsão elétrica para embarcações, veículos pesados e equipamentos industriais. A multinacional dinamarquesa atua também em climatização, refrigeração e acionamentos elétricos, o que lhe confere base tecnológica para desenvolver soluções integradas entre os segmentos. O novo motor de 48 volts amplia o portfólio da divisão para uma faixa de aplicação até então pouco coberta pela empresa no mercado de equipamentos compactos e de médio porte.
Para o Brasil, o lançamento chega num momento em que o segmento de máquinas agrícolas e de construção civil eletrificadas registra expansão, pressionado tanto por metas de redução de emissões quanto pela demanda de operadores por menor custo de combustível e manutenção. O país é um dos maiores mercados mundiais de máquinas agrícolas, com vendas domésticas de tratores e colheitadeiras que somaram mais de 80 mil unidades em 2024, segundo dados da Anfavea, e a eletrificação parcial dessas plataformas via sistemas eletro-hidráulicos tende a ganhar espaço nos próximos ciclos de produto.

