Recentemente vimos em diversos meios de comunicação a mudança do parque fabril da empresa Lupo para o Paraguai. Mas será que esta mudança tem validade somente para as grandes indústrias ou pode ser benéfica para pequenas e médias indústrias brasileiras? O Galpão notícias fez esta análise, confira.
O segredo está no custo operacional.
O Paraguai oferece um tripé de vantagens — mão de obra barata, energia de baixíssimo custo e impostos simplificados (Regime de Maquila) — que permite uma redução de até 40% nos custos totais de produção, segundo consultorias de mercado.
Para PMEs que operam com margens estreitas e exportam para o Brasil, essa diferença é brutal e mensurável.
O custo com o trabalhador é um dos maiores pesos na folha de pagamento de uma indústria. O custo de mão de obra no Paraguai é, em média, cerca de 64,7% do custo do Brasil.
Enquanto o salário mínimo paraguaio está próximo de R$ 2.050,00 (considerando a taxa de câmbio de Gs. 7.300 por dólar e R$ 5,10 por dólar, referência de Nov/2025), o valor é similar ao brasileiro (R$ 1.412,00).
No entanto, o verdadeiro diferencial está nos encargos sociais.
Os encargos sobre o salário de um funcionário no Paraguai giram em torno de 30%, enquanto no Brasil eles frequentemente superam 60% (CLT + FGTS + impostos). Para uma mão de obra não qualificada, a economia nos custos totais de contratação pode chegar a 35,2%.
Para indústrias que demandam alto consumo de energia, este é o fator que, sozinho, justifica o investimento. O Paraguai oferece a eletricidade industrial mais barata da América Latina.
Enquanto o custo médio industrial brasileiro é um dos mais altos do mundo (considerando tarifas e alta carga tributária), o custo paraguaio para o setor industrial é de aproximadamente R$ 285,60 por MWh (US$ 56/MWh, na mesma cotação).
Em comparação, tarifas industriais brasileiras podem facilmente superar R$ 820,00 por MWh. Esta diferença de preço é de cerca de 65% mais barata no país vizinho, um benefício direto de usinas como Itaipu e da baixa incidência de impostos sobre a energia.
Mesmo no mercado imobiliário industrial, a vantagem persiste. Para o seu índice de galpões, a média de aluguel por metro quadrado em regiões industriais como Ciudad del Este (CDE) está entre R$ 17,85/m² e R$ 25,50/m² para galpões de padrão B/A-.
Em comparação, a média de aluguel para galpões de Padrão A em regiões como o raio de 30 km de São Paulo atinge valores entre R$ 30,00/m² e R$ 43,00/m².
Uma PME que fatura R$ 5 milhões por ano e gasta 30% em produção (mão de obra e energia) pode economizar milhões de reais anualmente ao transferir sua base para o Paraguai via Lei da Maquila.
Esta lei é o maior atrativo, cobrando apenas 1% de imposto sobre o valor agregado no Paraguai de produtos exportados de volta para o Brasil.
Além disso, o imposto corporativo (Imposto de Renda) no Paraguai é de apenas 10%, frente a mais de 34% no Brasil.
A saída de uma gigante como a Lupo valida a estratégia.
Para PMEs que buscam escala e competitividade regional, o Paraguai pode ser uma alternativa a ser considerada.

