O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, em 12 de maio de 2026, uma Medida Provisória que extingue a alíquota de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, a chamada “taxa das blusinhas”. No dia seguinte, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) respondeu com um alerta direto: a medida vai gerar perda de empregos e causar prejuízo concreto à economia brasileira.
A tributação havia sido criada para reduzir o desequilíbrio competitivo entre plataformas estrangeiras como Shein, Shopee e AliExpress e a indústria instalada no Brasil. Com a zeragem da alíquota, produtos importados por essas plataformas voltam a circular sem nenhuma tributação, enquanto os fabricantes brasileiros seguem carregando toda a carga tributária da cadeia produtiva nacional. A CNI classifica esse cenário como concorrência desleal estrutural.
Setor têxtil no centro do problema
O segmento mais exposto é o têxtil e de confecções. O setor emprega diretamente mais de 1,5 milhão de trabalhadores no país, concentrados principalmente em São Paulo, Santa Catarina e Ceará, e já enfrentava pressão crescente nos últimos anos com o avanço das importações asiáticas pelo comércio digital. A extinção do imposto sobre as blusinhas retira o único mecanismo tributário que havia sido criado especificamente para conter essa pressão.
A CNI não detalhou uma estimativa de postos de trabalho em risco, mas a preocupação da entidade se ancora no histórico recente: entre 2023 e 2025, empresas têxteis de pequeno e médio porte registraram fechamento de unidades e redução de pessoal em regiões produtoras do interior paulista e catarinense, em parte atribuída ao crescimento das vendas diretas de marcas asiáticas ao consumidor brasileiro.
Proposta paralela e contexto externo
Em paralelo ao alerta, a CNI sinalizou que defende a criação de uma plataforma de apoio à internacionalização de empresas brasileiras. A proposta, ainda sem forma definida, foi apresentada na mesma semana em que o evento Brasil U.S. Industry Day ocorreu em Nova York, dentro do contexto das negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. A entidade tenta equilibrar o discurso: reconhece a pressão por abertura comercial, mas exige instrumentos compensatórios para a indústria doméstica.
A MP assinada por Lula não foi acompanhada de nenhuma medida de contrapartida para o setor industrial. O governo não divulgou projeções sobre o impacto fiscal da zeragem da alíquota nem estimativas de variação no volume de importações esperado para os próximos meses. O setor têxtil empregava, em 2024, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), cerca de 8% da força de trabalho da indústria de transformação brasileira.

