A Confederação Nacional da Indústria (CNI) formalizou apoio ao novo repasse de R$ 140 bilhões ao programa Nova Indústria Brasil (NIB), anunciado na terça-feira, 23 de junho de 2026. O volume será canalizado principalmente via BNDES para financiar projetos de inovação, automação e descarbonização industrial, com prazo longo e foco em seis missões estratégicas: saúde, defesa, infraestrutura, bioeconomia, transformação digital e transição energética. Para a cadeia química, que registra receita líquida superior a R$ 600 bilhões ao ano e figura entre as cinco maiores do mundo segundo a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), o acesso a esse tipo de crédito é decisivo para viabilizar projetos de maior porte.
Indústria química no centro do programa
O setor químico brasileiro depende estruturalmente de financiamento de longo prazo. Projetos de pesquisa e desenvolvimento, modernização de plantas e adequação a padrões ambientais mais rigorosos exigem horizontes de retorno que o crédito privado convencional raramente cobre. O NIB foi criado pelo governo federal em janeiro de 2024 exatamente para preencher essa lacuna, e as missões que o programa elegeu como prioritárias têm interface direta com a indústria química: da bioeconomia à transição energética, passando pela transformação digital.
Ao endossar publicamente o novo repasse, a CNI sinaliza alinhamento entre a iniciativa privada industrial e a política neoindustrialista do governo Lula, o que tende a ampliar a adesão de empresas ao instrumento e destravar negociações setoriais represadas.
Agenda mais ampla da CNI para o segundo semestre
Na mesma semana do anúncio, a CNI também defendeu a ampliação do acesso ao crédito via Fundos Constitucionais de Financiamento e a simplificação dos mecanismos de apoio à inovação. As três posições compõem um conjunto articulado de demandas voltadas à competitividade industrial no segundo semestre de 2026, período em que o setor pressiona por condições mais favoráveis diante do câmbio ainda volátil e dos custos de energia elevados.
O NIB acumula, desde seu lançamento em 2024, um histórico de aportes via BNDES que já somam cifras relevantes antes mesmo desse novo repasse de R$ 140 bilhões, consolidando o banco público como principal vetor da política industrial corrente.

