A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou em junho de 2026, às vésperas do novo ciclo eleitoral, um conjunto de propostas direcionadas ao próximo governo federal com dois eixos centrais: redução da carga tributária e reequilíbrio das contas públicas. Para a indústria química brasileira, que opera com uma das maiores cargas tributárias efetivas do mundo, a pauta é imediata. O custo tributário compromete diretamente a competitividade dos produtos nacionais frente a importados, sobretudo os de origem asiática, que chegam ao mercado interno com vantagens de preço que a produção local dificilmente consegue absorver.
Pressão estrutural sobre o setor químico
O cenário macroeconômico de 2025-2026 agravou as condições do setor. A taxa Selic mantida em patamares elevados, o câmbio volátil e o custo logístico pressionado corroem as margens de empresas de especialidades químicas, petroquímica e insumos agrícolas. A CNI, que reúne 27 federações estaduais e mais de 700 sindicatos patronais, defende a desoneração da folha de pagamentos, a simplificação do ICMS interestadual e a revisão de regimes tributários que hoje oneram a transformação industrial em detrimento da importação direta. Essas distorções afetam diretamente cadeias como plásticos, fertilizantes e defensivos agrícolas.
A implementação gradual da Reforma Tributária a partir de 2026, com a unificação de tributos no IBS e na CBS, criou uma janela de pressão específica. Empresas do setor químico precisam planejar investimentos de longo prazo em ativos fixos e pesquisa e desenvolvimento, e a indefinição sobre regras de transição tributária trava esse planejamento. A insegurança jurídica é citada pela própria CNI como um dos principais inibidores de decisões de investimento no complexo industrial.
Juros e custo de capital como gargalo de longo prazo
O equilíbrio fiscal aparece na agenda da CNI como condição para a queda sustentada dos juros. A lógica é direta: sem ajuste fiscal crível, o Banco Central mantém a Selic elevada; com juros altos, o custo de capital inviabiliza projetos industriais que exigem horizontes de retorno superiores a dez anos, como ocorre com frequência em plantas petroquímicas e unidades de produção de defensivos e fertilizantes. A equação fecha mal para quem precisa captar recursos para expansão.
A CNI não é a única voz nesse debate. Entidades setoriais como a Abiquim, que representa a indústria química no Brasil, também têm cobrado do governo federal maior previsibilidade regulatória e fiscal. O setor químico emprega diretamente cerca de 400 mil trabalhadores no país e responde por aproximadamente 10% do PIB industrial brasileiro, segundo dados da própria Abiquim.
As definições que o próximo governo adotar nos primeiros meses de mandato terão reflexo direto sobre decisões de investimento e capacidade produtiva de toda a cadeia. A Reforma Tributária começa a valer de forma escalonada já em 2026, e o prazo para que empresas reorganizem seus modelos de negócio dentro do novo regime é curto.

