A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nesta segunda-feira, 28 de julho de 2026, que o conjunto de ineficiências estruturais do país, conhecido como Custo Brasil, drena o equivalente a 20% do Produto Interno Bruto nacional em competitividade das empresas. Com o PIB brasileiro na casa dos R$ 11 trilhões, o número representa uma perda potencial de R$ 2,2 trilhões por ano, segundo a entidade.
O termo Custo Brasil engloba carga tributária elevada, burocracia excessiva, infraestrutura deficiente, logística cara e encargos trabalhistas que não encontram paralelo em economias concorrentes. Para a indústria, o efeito prático é direto: produtos fabricados no Brasil chegam ao mercado mais caros do que os de competidores que operam sem esses custos adicionais, perdendo espaço tanto internamente quanto nas exportações.
Pressão aumenta com novos acordos comerciais
A cobrança da CNI ganha contornos mais urgentes em 2026. O Brasil avançou recentemente no Acordo Mercosul-Singapura, que prevê tarifas zeradas e coloca a indústria nacional frente a frente com concorrentes asiáticos em condições de igualdade alfandegária, mas em desigualdade estrutural. Sem redução dos encargos internos, a abertura comercial tende a favorecer os importados.
A entidade reconhece que a Reforma Tributária aprovada nos anos anteriores representou um passo na direção correta, mas sustenta que os efeitos práticos ainda não chegaram ao chão de fábrica. As distorções do sistema atual seguem onerando o setor produtivo enquanto as regras de transição se arrastam.
O que a CNI pede
A confederação defende três frentes prioritárias: simplificação tributária efetiva, modernização da legislação trabalhista e investimentos consistentes em infraestrutura. Não se trata de uma agenda nova, a CNI repete esses pontos há anos, o que por si só diz algo sobre o ritmo das mudanças.
O retorno ao tema em julho de 2026 indica que, para a indústria, os avanços obtidos até agora ficaram aquém do necessário. A entidade reúne federações industriais de todos os estados e age como interlocutora do setor junto aos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, o que dá peso institucional ao recado.
Nos cálculos da CNI, cada ponto percentual do PIB que o Custo Brasil consome equivale a R$ 110 bilhões em eficiência desperdiçada anualmente.

