Em 11 de novembro de 2025, no município de Três Pontas, no Sul de Minas Gerais, a Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais) e a Prysmian iniciaram um projeto-piloto de testes. O foco é o cabo subterrâneo de média tensão “All Ground”. Este desenvolvimento é de extrema importância para o setor industrial e de energia brasileiro, pois a nova tecnologia promete aumentar drasticamente a confiabilidade das redes rurais, reduzindo as interrupções de fornecimento e os altos custos de obras aéreas e complexas.
A Prysmian é a líder mundial na indústria de cabos e sistemas para energia e telecomunicações. Com quase 150 anos de história e operações em mais de 50 países, a empresa é uma referência global na transição energética e na transformação digital. Em 2024, as vendas da companhia superaram os € 17 bilhões (R$104,8 bi).
O grande diferencial do cabo All Ground reside na sua resistência aprimorada, que é totalmente quantificável.
Esta característica permite que o cabo seja enterrado diretamente no solo, em profundidades que variam de 90 centímetros a 1,20 metro, sem a necessidade de dutos ou preparação especial. Isso simplifica a logística e gera uma economia significativa nos projetos de eletrificação.
Os dados obtidos em laboratório pela Prysmian são impressionantes: o All Ground é sete vezes mais resistente a impactos mecânicos do que um cabo convencional.
Um cabo padrão resiste a apenas 5 joules de força. O All Ground, por sua vez, suporta uma força de impacto de 35 joules, um valor que supera em muito o limite de 20 joules estabelecido pelas normas técnicas brasileiras, como a ABNT NBR 5410.
O que significam 35 joules? Na prática, o cabo All Ground é capaz de resistir à queda direta de objetos pesados, como uma marreta ou um bloco de concreto pequeno, sem sofrer danos em sua estrutura. Esta robustez é essencial para enfrentar as condições do terreno rural.
Além da resistência, o design do cabo inclui ranhuras que otimizam a troca térmica com o solo. Este dado técnico é crucial para evitar o sobreaquecimento e garantir que a performance de condução de energia se mantenha alta e estável ao longo do tempo.
A tecnologia é ideal para travessias em locais com grandes árvores, pois elimina o risco de desligamentos causados pela queda de galhos ou troncos nas linhas aéreas.
A cooperação entre Cemig e Prysmian também se estende ao teste do “cabo Green”. Esse produto inovador utiliza 20% de polietileno de origem vegetal, derivado da cana-de-açúcar.
Este é um dado importante de sustentabilidade. A Prysmian estima que cada 10 km de cabo Green instalado represente a captura e a não emissão de quase 1,8 tonelada de CO2, reforçando o compromisso das empresas com a inovação e a sustentabilidade no setor elétrico.

