O crescimento do mercado brasileiro de fusões e aquisições (M&A) em 2025 demonstra impacto prático sobre competitividade, geração de empregos e atração de capital estrangeiro. Mais do que sinais de vigor econômico, essas operações determinam a reorganização de setores estratégicos como infraestrutura de dados, energia e recursos naturais.
Historicamente, volatilidade econômica, complexidade regulatória e dificuldade de acesso a capitais dificultavam grandes operações no Brasil. Situações como contratos frágeis, falta de previsibilidade e valuation pouco confiáveis ocasionavam riscos para compradores e vendedores.
Para contornar esse cenário, a indústria avançou para operações mais elaboradas, profissionais e blindadas por cláusulas de proteção contratual. Segundo André Nogueira, da Aon, houve mudança no perfil das transações: negócios passaram a envolver valores maiores, alta complexidade e exigência de maior rigor em análise de riscos.
O Brasil somou 1.877 transações e US$ 56,41 bilhões movimentados (R$ 293 bilhões), consolidando um avanço de 7% no total de operações e 15% em valor, segundo relatório da Aon em parceria com TTR Data e Datasite. O volume contrapõe-se à estagnação verificada em outros países da América Latina no mesmo período.
Em termos comparativos, o Chile contabilizou 338 operações e o México, 307, ambos com retração de volume. O crescimento brasileiro, portanto, não foi uma simples exceção, mas resultado de maior apetite internacional e amadurecimento do ambiente local.
A maior operação registrada foi a venda da Odata Brasil, voltada ao segmento de hosting e armazenamento de dados, avaliada em R$ 10,9 bilhões. O negócio exemplifica a centralidade dos data centers nas teses de investimento de 2025, tendo como compradores fundos norte-americanos e do Oriente Médio.
Entre as outras principais transações, destacam-se a compra da Neoenergia pela espanhola Iberdrola, movimentando R$ 6,39 bilhões, e a venda de ativos imobiliários da JHSF por R$ 5,23 bilhões. No setor de mineração, ativos da Equinox Gold, como as minas Aurizona e RDM, foram negociados por R$ 5,5 bilhões com um grupo chinês. O setor de recursos naturais manteve relevância em valor total negociado.
Essas operações detalham o peso decisivo de poucos grandes negócios: as 5 maiores transações somaram cerca de R$ 40 bilhões, reforçando a relevância estrutural desses setores e atraindo players estrangeiros de diferentes origens.
Os Estados Unidos lideraram os investimentos no Brasil com 162 aquisições em 2025. O movimento bilateral também se revela, já que empresas brasileiras fizeram 58 aquisições de ativos nos EUA, somando US$ 1,53 bilhão. O Reino Unido aparece como segunda maior origem dos investimentos estrangeiros com 33 operações.
Na América Latina, foram registradas 3 mil transações, totalizando US$ 119,79 bilhões em 2025 – crescimento de apenas 1% em volume, mas alta de 19% em valor agregado. Isso aponta para um mercado mais seletivo, concentrado em ativos estratégicos. O segmento de Private Equity no Brasil realizou 119 transações e movimentou US$ 10,21 bilhões; já o Venture Capital viabilizou 367 rodadas e US$ 2,61 bilhões investidos.
A robustez desse ambiente também obriga compradores e vendedores a serem mais rigorosos na mitigação de riscos. Segundo Pedro da Costa, Head de M&A da Aon na América Latina, valutações racionais e mecanismos de proteção foram determinantes para fechar negócios relevantes em 2025.
O crescimento das operações de M&A brasileiras vai além do capital movimentado. O aprimoramento das estruturas contratuais e rigor na análise de riscos representam novo patamar de maturidade, aproximando o país de mercados avançados. Como efeito colateral, transações ficaram mais caras e exigentes, mas criaram padrão mais seguro para grandes investidores.
As movimentações de Private Equity, Venture Capital e fundos internacionais reforçaram diversificação de teses e distribuição do capital em diferentes setores. O resultado é um paradigma de estruturação empresarial menos exposto à improvisação e mais preparado para ciclos de crescimento e volatilidades futuras.
Esse cenário pode consolidar mudanças estruturais no médio e longo prazo, deixando o mercado brasileiro pronto para disputas mais sofisticadas por ativos estratégicos e integração em cadeias globais de valor.

