Em São Gonçalo do Rio Abaixo, na região Central de Minas Gerais, foi anunciado nesta semana que a Bionow fará um investimento superior a R$ 100 milhões para instalar uma fábrica dedicada à produção de biocarbono de alta densidade, um avanço que reposiciona o município no mapa industrial mineiro.
A novidade tem peso histórico: este será o maior aporte privado realizado na cidade desde a inauguração da Mina Brucutu, da Vale, e projeta uma nova etapa de industrialização com forte apelo tecnológico e sustentável.
Para o setor industrial, a notícia importa porque indica expansão de cadeias verdes, substituição de insumos fósseis e fortalecimento da capacidade nacional de produção de biomateriais avançados.
A Bionow é uma joint venture formada pela Vale, uma das maiores mineradoras do mundo, e pela Cenibra, referência na produção de celulose.
A parceria foi criada especificamente para desenvolver bioprodutos de alto desempenho voltados para indústrias que buscam reduzir emissões e adotar fontes renováveis em seus processos.
O projeto da fábrica em Minas representa a primeira grande expansão operacional da empresa desde sua formação.
O investimento anunciado inclui aquisição de área industrial, obras civis, instalação de equipamentos de pirólise avançada, sistemas de filtragem e unidades de controle térmico.
A capacidade inicial da planta deve superar 30 mil toneladas anuais de biocarbono — produto utilizado pelas indústrias siderúrgica, metalúrgica, química e de materiais avançados como alternativa de menor impacto ambiental.
Estudos internos da empresa indicam que esse tipo de biocarbono consegue reduzir em até 70% as emissões de CO₂ em comparação às fontes tradicionais usadas em altos-fornos.
A implantação deve gerar cerca de 150 empregos diretos e mais de 400 indiretos, com obras previstas para iniciar no primeiro semestre do próximo ano.
A operação comercial está programada para começar no final de 2026, após o ciclo completo de testes e certificações ambientais. A escolha de São Gonçalo do Rio Abaixo foi estratégica pela proximidade com florestas plantadas, acesso rodoviário e integração com a cadeia logística da Vale.
O governo estadual estima que o impacto econômico poderá elevar a arrecadação municipal, atrair novos fornecedores e fomentar serviços especializados na região.
Além da geração de empregos, o projeto contribui para diversificar a economia local, reduzindo a dependência da mineração tradicional e estimulando a formação de um polo regional de biotecnologia industrial.
A instalação da fábrica da Bionow marca um movimento claro de transição industrial em Minas Gerais, com foco em tecnologia limpa, produção sustentável e maior valor agregado.
O investimento, além de expressivo, simboliza a entrada de São Gonçalo do Rio Abaixo em uma agenda global de descarbonização e inovação industrial.

