A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ) divulgou, em 16 de julho de 2026, um posicionamento oficial contra a decisão do governo norte-americano de aplicar tarifas de 25% sobre produtos brasileiros com base na Seção 301 da legislação comercial dos Estados Unidos. O mecanismo permite que Washington imponha sobretaxas a países acusados de práticas comerciais desleais ou violações de propriedade intelectual, e sua ativação contra o Brasil representa uma barreira direta às exportações de bens de capital nacionais para um dos principais mercados compradores do setor.
O que está em jogo para o setor
O setor de máquinas e equipamentos movimenta dezenas de bilhões de reais por ano e sustenta centenas de milhares de empregos diretos e indiretos. A ABIMAQ congrega mais de 600 empresas associadas que respondem por parcela expressiva das exportações brasileiras de bens de capital, com os Estados Unidos figurando entre os destinos mais relevantes. Uma tarifa de 25% encarece a produção nacional de forma abrupta no mercado americano, pressionando contratos em andamento e reduzindo a competitividade frente a concorrentes de outros países que não estão sujeitos à mesma sobretaxa.
O problema se agrava pelo contexto interno. Com juros elevados no Brasil, as margens das empresas do setor já operam sob pressão, e qualquer retração nas exportações tem efeito imediato sobre o caixa das fabricantes. A ABIMAQ, fundada em 1969 e sediada em São Paulo, alerta que o impacto não se limita ao segmento: como fornecedor de equipamentos para agronegócio, construção civil, mineração e manufatura, uma desaceleração nas exportações do setor se propaga por toda a cadeia produtiva industrial brasileira.
A resposta da entidade e os próximos passos
Na nota divulgada, a associação pede atuação diplomática imediata do governo federal. A entidade sinalizou que deve intensificar sua interlocução com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e com o Itamaraty para pressionar por uma reversão ou negociação da medida. A avaliação da ABIMAQ é de que o canal diplomático é o caminho mais rápido para conter os danos antes que contratos sejam cancelados ou redirecionados para fornecedores de outros países.
A Seção 301 já foi utilizada pelos Estados Unidos em disputas com China, União Europeia e outros parceiros comerciais, geralmente como instrumento de pressão em negociações bilaterais. No caso brasileiro, ainda não há detalhamento público sobre quais práticas específicas motivaram a aplicação da medida. A ABIMAQ é uma das primeiras entidades industriais a se manifestar formalmente sobre o assunto desde o anúncio.

