A Philip Morris International inaugurou, no final de julho de 2026, uma fábrica avaliada em 1,2 bilhão de dólares no Colorado, nos Estados Unidos, destinada à produção do Zyn, marca de sachês de nicotina sem tabaco que nos últimos dois anos gerou desabastecimento em farmácias e redes varejistas norte-americanas. A unidade é a primeira grande planta de produção do Zyn fora da Suécia, onde o produto é fabricado pela Swedish Match, subsidiária adquirida pela PMI em 2022 por cerca de 16 bilhões de dólares.
A aposta no mercado sem fumaça
O Zyn se tornou o produto de crescimento mais acelerado no portfólio da companhia. A demanda nos EUA cresceu a ponto de esvaziar prateleiras ao longo de 2024 e 2025, pressionando a PMI a ampliar capacidade produtiva com urgência. A nova planta no Colorado responde diretamente a esse gargalo, e o valor do investimento é um dos maiores registrados em uma única unidade industrial do setor de bens de consumo nos EUA no período recente.
A escolha do Colorado levou em conta incentivos fiscais estaduais para grandes aportes industriais, infraestrutura logística consolidada e proximidade com centros de distribuição que atendem toda a costa oeste do país. A fábrica deve gerar centenas de postos de trabalho permanentes, além de empregos indiretos em fornecedores locais de embalagem, logística e insumos.
Reshoring e pressão por cadeias mais curtas
O movimento da PMI se insere numa tendência mais ampla de reshoring, a relocalização de capacidade produtiva em solo norte-americano. As tarifas impostas durante o governo Trump e a pressão por cadeias de suprimento mais resilientes aceleraram esse processo em vários setores industriais. Instalar a produção do Zyn nos EUA reduz a dependência de uma cadeia logística transcontinental e encurta o tempo de resposta ao mercado consumidor.
Risco regulatório como variável central
A expansão ocorre em terreno regulatório incerto. O FDA ainda debate os limites para a comercialização de produtos de nicotina sem tabaco, sem uma definição consolidada sobre restrições de marketing, limites de concentração de nicotina e critérios de aprovação para novos produtos da categoria. A PMI aposta num cenário favorável, mas o risco é real: uma decisão regulatória restritiva pode limitar o mercado endereçável justamente quando a companhia conclui seu maior investimento na categoria.
A PMI projeta que os produtos sem fumaça respondam pela maior parte de sua receita líquida até o final da década. No primeiro trimestre de 2026, a divisão sem fumaça já representava cerca de 40% da receita total da companhia, segundo dados divulgados pela própria empresa ao mercado.

