Setor eletroeletrônico brasileiro consome 54 mil toneladas de plástico reciclado e acirra disputa com embalagens de celulose em 2026

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O setor de eletrodomésticos e eletroeletrônicos do Brasil atingiu o consumo de 54 mil toneladas de resina plástica reciclada pós-consumo em 2026, segundo levantamento do Movimento Plástico Transforma divulgado pela Abiplast em 29 de julho. O volume é um dos maiores já registrados para o segmento e sinaliza que a adoção de materiais reciclados deixou de ser meta declaratória para se tornar critério efetivo de volume e contrato nas cadeias industriais brasileiras.

Os polos industriais de São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul concentram a maior parte dessa demanda, estados onde a indústria eletroeletrônica tem presença produtiva mais densa. O Movimento Plástico Transforma, iniciativa que reúne empresas da cadeia produtiva do plástico no país, monitora a evolução do consumo de resinas recicladas desde 2020, e o salto para 54 mil toneladas no segmento específico de eletros representa uma aceleração frente às séries anteriores.

O que isso muda para o mercado de celulose

A expansão do plástico reciclado interessa diretamente ao setor de papel e celulose porque embalagens à base de fibra celulósica, como papelão, papel-cartão e celulose moldada, competem com embalagens plásticas nas cadeias de suprimento de bens de consumo duráveis. Quando grandes fabricantes de eletroeletrônicos ampliam o uso de resina reciclada em componentes e embalagens primárias, o espaço disputado com alternativas de origem vegetal se estreita.

A celulose moldada, em particular, vinha ganhando terreno em embalagens de proteção interna de eletrônicos, substituindo espumas de poliestireno expandido. Com o plástico reciclado mais disponível e economicamente competitivo, essa vantagem pode se reduzir. A disputa ocorre em um momento em que a indústria brasileira de papel e embalagem já enfrenta pressão de custos logísticos e câmbio desfavorável para importação de insumos.

Para analistas do setor de insumos industriais, o dado da Abiplast reforça que a economia circular está moldando contratos e não apenas relatórios de sustentabilidade. Fabricantes de eletros que adotam plástico reciclado em componentes tendem a estender essa lógica às embalagens secundárias, o que coloca fornecedores de papel e celulose em posição de renegociação de especificações técnicas e preço.

O Movimento Plástico Transforma projeta que o consumo de resinas recicladas pelo setor eletroeletrônico continue crescendo ao longo de 2027, sustentado por metas corporativas de ESG e exigências crescentes de clientes internacionais das montadoras brasileiras. Em 2020, primeiro ano de monitoramento sistemático da iniciativa, os volumes registrados para o segmento eram significativamente inferiores ao patamar atual de 54 mil toneladas.

Marcelo Costa
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Marcelo Costa é redator especializado em conteúdos voltados ao universo empresarial, industrial e de engenharia. Com experiência na produção de textos informativos e analíticos, atua na cobertura de notícias relevantes do setor produtivo, acompanhando tendências, movimentações de mercado e avanços tecnológicos que impactam diretamente empresas e profissionais da área. Seu trabalho é focado em transformar informações técnicas e dados complexos em conteúdos claros, objetivos e úteis para o dia a dia de empresários, gestores e operadores. Ao longo de suas publicações, busca não apenas informar, mas também contextualizar os acontecimentos, destacando oportunidades, riscos e mudanças que podem influenciar decisões estratégicas. No blog, Marcelo aborda desde atualizações do cenário industrial até inovações em engenharia, novos investimentos, fusões, aquisições e mudanças regulatórias. Seu compromisso é entregar conteúdo confiável, direto ao ponto e alinhado com a realidade de quem vive o mercado na prática.

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