Mais de 40% das indústrias brasileiras migraram para o mercado livre de energia em dois anos, aponta CNI, pressionadas por tarifas elevadas e concorrência do aço importado

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A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou, em 30 de julho de 2026, que mais de 40% das indústrias brasileiras migraram para o mercado livre de energia elétrica nos últimos dois anos. O dado revela uma mudança estrutural na gestão de custos do setor produtivo nacional, impulsionada por tarifas reguladas ainda pressionadas por encargos setoriais e bandeiras tarifárias. Para segmentos como o siderúrgico, onde a energia elétrica é insumo central, o movimento tem relação direta com a capacidade de competir com o aço importado, sobretudo o chinês.

Da restrição ao acesso ampliado

Por anos, a migração para o Ambiente de Contratação Livre (ACL) foi restrita a grandes consumidores industriais, com demanda mínima contratada elevada. Reformas regulatórias promovidas nos últimos anos abriram progressivamente esse mercado para médias e pequenas indústrias, o que explica, em parte, a aceleração observada no levantamento da CNI. A entidade, principal interlocutora do setor produtivo junto ao governo federal em temas de energia e competitividade, não detalhou o recorte por porte de empresa, mas a tendência de democratização do ACL é reconhecida pelo próprio regulador.

No mercado livre, as indústrias negociam diretamente com geradoras e comercializadoras, fixando preços e prazos de fornecimento em condições potencialmente mais vantajosas do que as praticadas no ambiente regulado. A economia obtida varia conforme o perfil de consumo e a sazonalidade do mercado de energia, mas empresas intensivas em eletricidade costumam reportar reduções relevantes na conta de luz após a migração.

O peso da energia no aço brasileiro

Para o setor siderúrgico, o custo energético não é periférico. Usinas que operam com forno elétrico a arco (EAF), tecnologia utilizada por parte da indústria brasileira de aço, consomem volumes expressivos de eletricidade por tonelada produzida. Quando o custo desse insumo cai, a margem por tonelada melhora ou o preço de venda pode ser ajustado para baixo, o que aumenta a competitividade frente ao produto importado.

O aço chinês pressiona o mercado brasileiro há anos. Em 2024 e 2025, o volume de importações de laminados e semiacabados chineses manteve tensão constante com a produção doméstica, levando o setor a buscar medidas antidumping e, ao mesmo tempo, a cortar custos internamente. A energia elétrica mais barata via mercado livre é uma das alavancas disponíveis dentro da porteira da fábrica.

Energia como ativo estratégico

A migração em escala também sinaliza uma mudança de postura gerencial. Indústrias que antes tratavam energia como custo fixo passam a geri-la como variável estratégica, com contratos de longo prazo com geradoras renováveis e, em alguns casos, projetos de autoprodução. Esse reposicionamento tende a atrair investimentos em eficiência energética e a reduzir a exposição às oscilações das bandeiras tarifárias, que nos últimos ciclos anuais chegaram ao patamar escassez hídrica.

Segundo a CNI, o Brasil tem atualmente mais de 11 mil unidades consumidoras no mercado livre, número que deve crescer com a abertura prevista para consumidores de menor porte nos próximos anos, conforme calendário regulatório estabelecido pela Aneel.

Marcelo Costa
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Marcelo Costa é redator especializado em conteúdos voltados ao universo empresarial, industrial e de engenharia. Com experiência na produção de textos informativos e analíticos, atua na cobertura de notícias relevantes do setor produtivo, acompanhando tendências, movimentações de mercado e avanços tecnológicos que impactam diretamente empresas e profissionais da área. Seu trabalho é focado em transformar informações técnicas e dados complexos em conteúdos claros, objetivos e úteis para o dia a dia de empresários, gestores e operadores. Ao longo de suas publicações, busca não apenas informar, mas também contextualizar os acontecimentos, destacando oportunidades, riscos e mudanças que podem influenciar decisões estratégicas. No blog, Marcelo aborda desde atualizações do cenário industrial até inovações em engenharia, novos investimentos, fusões, aquisições e mudanças regulatórias. Seu compromisso é entregar conteúdo confiável, direto ao ponto e alinhado com a realidade de quem vive o mercado na prática.

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