O setor de eletrodomésticos e eletroeletrônicos do Brasil atingiu 54 mil toneladas no consumo de resina plástica reciclada pós-consumo em 2026, segundo levantamento divulgado em 29 de julho pelo Movimento Plástico Transforma, iniciativa vinculada à Abiplast, a Associação Brasileira da Indústria do Plástico. O número reflete uma mudança concreta na cadeia produtiva de um segmento que abrange, diretamente, fabricantes de compressores industriais e equipamentos que dependem de componentes plásticos em suas estruturas e gabinetes.
Pressão vem de clientes, reguladores e mercado
Fabricantes de compressores integram a cadeia eletroeletrônica e sentem, cada vez mais, cobranças por insumos com menor pegada ambiental. A demanda não vem só de regulação: clientes industriais com metas ESG formalizadas passaram a incluir critérios de rastreabilidade de materiais nos processos de compra de equipamentos. Ignorar essa exigência significa perder contratos. A adoção de plásticos reciclados em componentes não críticos dos compressores, como painéis, tampas e gabinetes externos, pode reduzir o custo de insumos e agregar valor de marca sem comprometer desempenho técnico.
A Abiplast é uma das entidades mais representativas do setor de transformação plástica no Brasil e tem atuado junto a fabricantes para promover a incorporação de materiais reciclados na produção industrial. O crescimento para 54 mil toneladas no segmento eletroeletrônico sinaliza que essa incorporação deixou de ser exceção e passou a ser prática recorrente em parte relevante da cadeia.
Exportações também entram na equação
O contexto externo reforça a pressão interna. O acordo comercial recém-firmado entre Mercosul e Singapura amplia exigências de rastreabilidade e sustentabilidade sobre produtos industriais exportados pelo Brasil. Para compressores que chegam a mercados internacionais, comprovar o uso de insumos reciclados pode se tornar requisito contratual, não apenas diferencial competitivo.
A indústria eletroeletrônica brasileira vem crescendo em volume de produção, o que eleva proporcionalmente a demanda por matérias-primas. Com o preço das resinas virgens sujeito às oscilações do petróleo e do câmbio, o plástico reciclado pós-consumo ganha atratividade econômica além do apelo ambiental. O Movimento Plástico Transforma registrou que o consumo de PCR no setor saiu de patamares menores nos anos anteriores para os 54 mil toneladas atuais, trajetória que deve continuar pressionando fornecedores de toda a cadeia a se adaptarem.

