A Confederação Nacional da Indústria (CNI) emitiu, em 28 de julho de 2026, um alerta formal ao governo federal cobrando ações urgentes para reduzir o chamado Custo Brasil, conjunto de ineficiências estruturais que, segundo a entidade, subtrai 20% do Produto Interno Bruto nacional. O comunicado reforça a pressão do setor produtivo sobre o Executivo e o Congresso num momento em que o país prepara a entrada em vigor do Acordo Mercosul-Singapura, prevista para 1º de agosto de 2026.
O que está em jogo
O Custo Brasil reúne fatores que encarecem sistematicamente a produção no país: carga tributária elevada, burocracia excessiva, infraestrutura logística deficiente, encargos trabalhistas e insegurança jurídica. A CNI, que representa a indústria nos 26 estados e no Distrito Federal por meio de federações estaduais, monitora e quantifica esses gargalos há décadas e é referência técnica no diagnóstico dos obstáculos à competitividade industrial brasileira.
O percentual de 20% do PIB equivale, na prática, a trilhões de reais em perdas anuais de eficiência econômica. Para ter dimensão: o PIB brasileiro fechou 2025 em torno de R$ 12 trilhões, o que significa que o Custo Brasil corrói cerca de R$ 2,4 trilhões por ano em capacidade produtiva que poderia ser revertida em investimento e emprego.
Abertura comercial sem reforma interna resolve pouco
A coincidência entre o alerta da CNI e a iminente vigência do acordo com Singapura não é casual. A entidade sinaliza que ganhos obtidos em negociações externas podem ser neutralizados pelos custos de produção domésticos. Abrir mercados sem reduzir o custo interno de fabricar coloca o produto brasileiro em desvantagem frente a concorrentes de países com estruturas tributárias e regulatórias mais enxutas.
A reforma tributária aprovada nos últimos anos avançou na simplificação do sistema de consumo, mas a CNI aponta que os encargos sobre a folha de pagamento e a complexidade do ambiente regulatório seguem como entraves relevantes. A insegurança jurídica, outro item da lista, afasta capital estrangeiro produtivo e eleva o custo de financiamento para empresas que operam no Brasil.
O alerta da CNI chega num contexto em que o governo federal busca ampliar parcerias comerciais e atrair investimentos, mas enfrenta dificuldades fiscais que limitam o espaço para desonerações amplas. A entidade não apresentou propostas detalhadas no comunicado de julho, mas a cobrança pública serve como pressão política sobre a agenda legislativa do segundo semestre de 2026.

