A participação da indústria de transformação no PIB brasileiro caiu de cerca de 35% nos anos 1980 para aproximadamente 11% a 12% na década de 2020. Esse recuo não é acidente nem fatalidade econômica: a Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que os tributos respondem entre 33% e 36% do custo total de produção das empresas industriais do país, percentual muito acima do que enfrentam concorrentes diretos como México, China e nações do Sudeste Asiático. O argumento central da entidade, expresso pela Agência de Notícias da Indústria em julho de 2026, é que a indústria brasileira compete em condições estruturalmente desiguais.
O peso tributário como fator de encolhimento industrial
O chamado “Custo Brasil” é um conjunto de fatores que encarecem a produção doméstica, e a carga tributária ocupa posição central nesse diagnóstico. Setores como metalurgia, têxtil, calçados e bens de capital são os que mais expõem essa assimetria: enfrentam a concorrência de produtos importados fabricados em países onde o Estado frequentemente subsidia a produção ou aplica regimes tributários mais favoráveis à exportação. O resultado prático é uma pressão permanente sobre margens, preços e empregos formais de maior valor agregado.
A desindustrialização relativa que esse quadro alimenta não é apenas uma estatística do PIB. Ela se traduz em fechamento de plantas, migração de investimentos para o exterior e perda de capacidade exportadora. Economias que mantiveram ou ampliaram sua base industrial nas últimas décadas, como Coreia do Sul e México, fizeram isso com políticas tributárias explicitamente calibradas para não punir a produção doméstica.
Reforma tributária e a disputa por isonomia
A reforma tributária aprovada entre 2023 e 2024 criou o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto Seletivo (IS). A promessa era simplificação e maior isonomia competitiva. A regulamentação, porém, segue gerando disputas setoriais intensas: a indústria monitora de perto se a transição vai, de fato, redistribuir a carga de forma mais equilibrada entre setores ou simplesmente reorganizar distorções já conhecidas sob nova nomenclatura.
A CNI reúne 27 federações estaduais e mais de 1.300 sindicatos patronais, o que dá à entidade base para pressionar o processo regulatório com dados específicos por cadeia produtiva. O período de transição para o novo sistema tributário se estende até 2033, tempo suficiente para que distorções antigas se reproduzam caso a regulamentação não seja acompanhada de perto pelo setor.
O recuo da indústria de transformação para menos de 12% do PIB coloca o Brasil abaixo da média de países em desenvolvimento com perfil econômico semelhante, segundo dados do Banco Mundial e da UNIDO, a agência da ONU para o desenvolvimento industrial.

