A Confederação Nacional da Indústria (CNI) voltou a pressionar o debate sobre tributação industrial ao publicar, em 27 de julho de 2026, análise que expõe a desvantagem competitiva das fabricantes brasileiras diante de um sistema fiscal que, segundo a entidade, penaliza a produção nacional de forma desproporcional. Em alguns segmentos, a carga tributária chega a consumir mais de 35% do faturamento bruto das empresas, nível que coloca o Brasil entre os países com maior pressão fiscal sobre a indústria no mundo.
Concorrência assimétrica com o exterior
O problema se agrava quando comparado ao tratamento que governos de outros países dispensam ao setor produtivo. Concorrentes asiáticos, em particular, operam sob regimes em que o Estado frequentemente subsidia ou desonera a produção local, o que reduz artificialmente os custos e permite preços mais baixos no mercado global. A indústria brasileira, ao contrário, ainda convive com a cumulatividade de impostos, a guerra fiscal entre estados e a taxação elevada sobre insumos e energia elétrica, distorções que a CNI enumera como as principais responsáveis pelo encarecimento da produção nacional.
Esse desequilíbrio afeta diretamente as exportações, o emprego formal na indústria de transformação e a capacidade do país de atrair novos investimentos produtivos. A entidade, que representa as federações de indústrias de todos os estados e tem sede em Brasília, alerta que as distorções em vigor comprometem não apenas a rentabilidade das empresas, mas a participação do setor manufatureiro na economia como um todo.
Reforma tributária não encerra o debate
A publicação da CNI ocorre em meio à implementação da reforma tributária aprovada nos anos anteriores, cujos efeitos práticos sobre a indústria ainda geram controvérsia entre empresários, economistas e legisladores. Para a confederação, a reforma em curso não elimina as distorções mais críticas. Sem correções adicionais, o Brasil aprofundaria o processo de desindustrialização que já retira participação do setor manufatureiro no Produto Interno Bruto há mais de duas décadas.
A indústria de transformação, que chegou a representar cerca de 35% do PIB brasileiro nos anos 1980, opera hoje com participação próxima a 11%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A queda reflete tanto mudanças estruturais globais quanto o acúmulo de desvantagens competitivas internas, entre elas a carga fiscal sobre a produção.
A CNI defende que a correção das distorções tributárias é condição para que a indústria nacional possa competir em condições mínimas de igualdade no mercado externo e, ao mesmo tempo, preservar empregos e volume de produção no mercado doméstico. O setor industrial empregava, ao fim de 2025, cerca de 8,5 milhões de trabalhadores formais no Brasil, conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

