A cidade de Cocal do Sul, no Sul de Santa Catarina, recebeu manifestação de interesse de mais de 120 empresas que buscam espaço no novo distrito industrial que a prefeitura planeja implantar, composto por 36 lotes distribuídos em uma área de 10 hectares. A demanda supera em mais de três vezes a capacidade prevista no projeto, o que coloca a administração municipal diante da necessidade de uma segunda fase de expansão antes mesmo de a primeira ser concluída.
O município fica próximo a Criciúma, na região carbonífera do estado, e já conta com infraestrutura industrial consolidada nos setores de cerâmica, plástico, metal-mecânico e confecções, segmentos que compõem a base produtiva do Sul catarinense. A combinação de custos operacionais menores do que os dos grandes centros e acesso a rotas de escoamento regional explica parte do apetite dos empreendedores pelo local.
Demanda concentrada, oferta limitada
Com 36 lotes disponíveis e mais de 120 interessados, cada unidade do novo distrito teria, em média, mais de três concorrentes disputando o mesmo espaço. O número revela uma pressão real de expansão produtiva que o território atual da cidade já não consegue absorver. Empresas que buscam iniciar operações ou ampliar as já existentes esbarram na escassez de áreas industriais planejadas, um gargalo que não é exclusivo de Cocal do Sul, mas que o município decidiu enfrentar de forma direta.
Santa Catarina é um dos estados com maior densidade industrial por habitante no Brasil, e municípios de pequeno porte da região têm seguido um padrão de forte cultura empreendedora que se retroalimenta à medida que novos parques e distritos são criados. A gestão territorial planejada, com lotes organizados e infraestrutura de acesso, tende a atrair indústrias de médio porte com mais regularidade do que áreas improvisadas.
Interiorização como estratégia produtiva
O movimento em Cocal do Sul acompanha uma tendência mais ampla de descentralização industrial no Brasil, com municípios do interior assumindo papel ativo na atração de investimentos que antes se concentravam em capitais ou regiões metropolitanas. Custos menores de mão de obra, terreno e logística interna têm pesado na decisão de empresários que avaliam instalações fora dos grandes centros.
O novo distrito ainda não tem data definida para início das obras, mas a demanda registrada já serve como argumento para que a prefeitura planeje ao menos uma segunda fase de expansão. Com 120 empresas na fila para 36 lotes, qualquer empresa que não for contemplada na primeira rodada precisará aguardar ou buscar alternativas na região de Criciúma.

