A BYD atingiu a marca de 100 mil veículos elétricos fabricados no Brasil em apenas nove meses de operação plena na fábrica de Camaçari, na Bahia, enquanto gerava 5,5 mil empregos diretos na região. A velocidade de produção surpreende até para os padrões globais da montadora chinesa, que é uma das maiores fabricantes de elétricos do mundo, e coloca a planta baiana no centro da estratégia da empresa para a América Latina.
A unidade ocupa o complexo industrial que pertenceu à Ford até 2021, quando a americana encerrou as operações no país após décadas. A reativação do espaço pela BYD inverteu uma narrativa de declínio que havia marcado o setor automotivo nordestino, e Camaçari voltou a operar como polo de fabricação de veículos em escala relevante.
Cadeia produtiva e efeito multiplicador
O ritmo de expansão da BYD pressiona fornecedores de autopeças, empresas de logística e o setor de energia a se adaptarem à demanda crescente. O efeito multiplicador sobre empregos indiretos ao longo da cadeia produtiva é estimado em dezenas de milhares de postos, embora números definitivos ainda não tenham sido consolidados. Para o Nordeste, historicamente menos contemplado por grandes instalações industriais do setor automotivo, o volume de contratações diretas já é expressivo.
A operação em Camaçari também ocorre em paralelo a movimentos de outras empresas chinesas do setor elétrico no Brasil, com aprovações recentes de financiamento facilitado para ao menos outra montadora do mesmo segmento. O padrão sugere uma estratégia coordenada de internacionalização da indústria elétrica asiática em direção ao mercado brasileiro, que combina escala de consumo, incentivos fiscais e mão de obra disponível.
Brasil como plataforma de produção regional
Atingir 100 mil unidades em nove meses coloca o Brasil na lista de países com capacidade instalada relevante para veículos elétricos fora da Ásia e da Europa. A planta da BYD em Camaçari produz modelos voltados tanto ao mercado interno quanto à exportação para outros países da região, o que amplia a função estratégica da unidade além do abastecimento doméstico.
O setor automotivo brasileiro como um todo produziu cerca de 2,4 milhões de veículos em 2023, segundo dados da Anfavea, com a participação de elétricos e híbridos ainda marginal no total. A BYD, sozinha, já representa uma fatia crescente dentro desse universo restrito de elétricos, e o ritmo atual de produção indica que essa proporção deve aumentar nos próximos trimestres. Em setembro de 2024, os elétricos puros representavam menos de 3% dos emplacamentos totais no país, segundo a Fenabrave.

