A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou, nesta segunda-feira, 13 de julho de 2026, que o ICEI — Índice de Confiança do Empresário Industrial — atingiu o menor patamar dos últimos cinco anos. O resultado reflete um conjunto de pressões simultâneas que vêm corroendo as expectativas do setor produtivo: taxa de juros ainda elevada, câmbio instável e custo crescente de insumos industriais, entre eles o aço, matéria-prima estrutural para praticamente toda a cadeia manufatureira nacional.
O que o índice mede e por que o resultado preocupa
Calculado mensalmente com base em pesquisa junto a empresários de todo o país, o ICEI avalia tanto as condições atuais dos negócios quanto as perspectivas para os meses seguintes. A CNI representa mais de 700 sindicatos patronais e cerca de 8 mil empresas industriais, o que dá ao indicador ampla representatividade. Chegar ao piso histórico recente não é um sinal trivial: significa que a maioria dos empresários consultados avalia negativamente tanto o presente quanto o futuro próximo.
Para o segmento siderúrgico e de transformação metálica, a queda do índice tem consequências práticas e imediatas. Decisões de investimento em capacidade produtiva, aquisição de máquinas e contratação de mão de obra tendem a ser adiadas quando a confiança recua de forma consistente. Menos investimento significa menos demanda por aço plano, longo e especial, comprimindo o volume de pedidos ao longo de toda a cadeia.
Cenário regional agrava o quadro doméstico
O dado da CNI se insere em um ambiente externo também adverso. O fechamento de mais de 200 fábricas na Argentina, divulgado na mesma semana, reduz a demanda regional por produtos industriais brasileiros e pressiona as margens de empresas que dependem do mercado do Mercosul. A Argentina é um dos principais destinos das exportações industriais do Brasil, e sua retração produtiva tende a se traduzir em menos encomendas cruzando a fronteira.
Combinados, os dois movimentos, queda da confiança interna e encolhimento da demanda regional, configuram um ambiente de cautela que já se reflete em postergação de decisões por parte de gestores industriais. O aço, por estar presente em setores que vão da construção civil à linha branca e à indústria automotiva, funciona como um indicador antecedente do humor geral da indústria. Quando a confiança cai, os pedidos demoram a aparecer.
A leitura do ICEI de julho de 2026 é a mais baixa desde 2021, período em que a indústria ainda enfrentava os efeitos da pandemia sobre cadeias de suprimento e demanda.

