Reajuste de 12,5% no gás natural em Santa Catarina eleva custos da indústria catarinense no segundo semestre de 2025

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A Companhia de Gás de Santa Catarina, a SCGÁS, anunciou em 1º de julho de 2026 um reajuste de 12,5% nas tarifas de gás natural distribuído no estado. A alta, motivada pela combinação de preços mais elevados do petróleo no mercado internacional e pela valorização do dólar frente ao real, entra em vigor no segundo semestre e afeta diretamente as indústrias catarinenses que dependem do gás como insumo energético e térmico.

O número poderia ser maior. A própria SCGÁS admitiu que, sem as negociações realizadas para conter o impacto, o reajuste poderia ter chegado a aproximadamente 30%. O dado revela a intensidade da pressão de custos sobre a distribuidora, cujas compras de gás são referenciadas em moeda estrangeira, tornando o câmbio um fator determinante na composição tarifária. A empresa opera sob regulação da Agência Reguladora de Serviços Públicos de Santa Catarina, a ARESC, e seus reajustes seguem metodologia que considera variações nos custos de aquisição, transporte e distribuição.

Setores industriais no centro do impacto

Santa Catarina concentra alguns dos polos industriais mais ativos do Brasil. Joinville abriga um dos maiores complexos metal-mecânicos do país, Blumenau responde por produção têxtil expressiva e Chapecó é um dos centros agroindustriais mais relevantes da América do Sul. Todos esses setores consomem gás natural em escala relevante, seja para geração de calor em processos produtivos, seja como fonte energética direta.

Um reajuste de 12,5% sobre a tarifa de um insumo essencial aperta margens em empresas que já enfrentam câmbio desfavorável, taxa básica de juros elevada e demanda interna ainda em ritmo irregular. Para indústrias com margens operacionais estreitas, como as do segmento têxtil, a absorção desse custo adicional sem repasse ao preço final é difícil. A alternativa, repassar ao consumidor, encontra resistência em mercados competitivos.

Um problema que vai além de Santa Catarina

O episódio catarinense não é isolado. Distribuidoras de gás natural em outros estados brasileiros também registram pressão por reajustes no mesmo período, reflexo da dependência estrutural da matriz energética nacional em relação ao mercado internacional de commodities e ao comportamento do câmbio. Enquanto o real permanecer pressionado e o petróleo oscilar em patamares elevados, distribuidoras estaduais continuarão repassando esses choques às tarifas, e a indústria continuará absorvendo parte desse custo.

A SCGÁS distribuiu gás natural para cerca de 2.500 clientes industriais e comerciais em Santa Catarina, segundo dados da própria companhia, o que dimensiona o alcance direto do reajuste sobre a atividade produtiva do estado.

Marcelo Costa
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Marcelo Costa é redator especializado em conteúdos voltados ao universo empresarial, industrial e de engenharia. Com experiência na produção de textos informativos e analíticos, atua na cobertura de notícias relevantes do setor produtivo, acompanhando tendências, movimentações de mercado e avanços tecnológicos que impactam diretamente empresas e profissionais da área. Seu trabalho é focado em transformar informações técnicas e dados complexos em conteúdos claros, objetivos e úteis para o dia a dia de empresários, gestores e operadores. Ao longo de suas publicações, busca não apenas informar, mas também contextualizar os acontecimentos, destacando oportunidades, riscos e mudanças que podem influenciar decisões estratégicas. No blog, Marcelo aborda desde atualizações do cenário industrial até inovações em engenharia, novos investimentos, fusões, aquisições e mudanças regulatórias. Seu compromisso é entregar conteúdo confiável, direto ao ponto e alinhado com a realidade de quem vive o mercado na prática.

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