Skyworth investe dezenas de milhões de yuans em tecnologia de corte de carbeto de silício com perda inferior a 40 mícrons por fatia

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A Skyworth Group, conglomerado chinês de tecnologia com sede em Shenzhen, liderou um aporte exclusivo de dezenas de milhões de yuans em uma empresa que desenvolveu um processo de corte de carbeto de silício (SiC) capaz de reduzir a perda de material para menos de 40 mícrons por fatia. A operação foi divulgada em 11 de junho de 2026 pela plataforma 36Kr e estruturada no modelo lead investor, em que a Skyworth entrou como única investidora da rodada.

Por que 40 mícrons importam

O carbeto de silício é um semicondutor de ampla bandgap considerado essencial para inversores de veículos elétricos, sistemas fotovoltaicos e carregadores rápidos de alta potência. O gargalo histórico do material sempre foi o desperdício no processo de corte em fatias, chamado de wafering: tecnologias convencionais com fio-diamante ou fio metálico perdem entre 80 e 150 mícrons de material por corte, dependendo da configuração. Chegar abaixo de 40 mícrons significa extrair mais wafers do mesmo cristal bruto, o que reduz diretamente o custo unitário de cada componente produzido.

O SiC bruto ainda é caro e produzido em volume limitado, concentrado principalmente em Estados Unidos, Japão e China. Qualquer ganho de aproveitamento no processo de corte tem efeito direto sobre o preço final dos dispositivos de potência, que chegam ao mercado em inversores industriais, drives de frequência variável e equipamentos de automação.

A lógica por trás do movimento da Skyworth

A empresa não é fabricante de semicondutores, mas atua em televisores, painéis solares, veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia, todos segmentos que consomem componentes de potência baseados em SiC. Ao apoiar o desenvolvimento de uma tecnologia de corte mais eficiente, a Skyworth reduz sua exposição a fornecedores externos e ganha posição em um elo crítico da cadeia produtiva. O movimento segue uma lógica de verticalização que outras fabricantes asiáticas integradas, como BYD e Huawei, já praticam em diferentes segmentos.

O valor exato do aporte não foi divulgado publicamente, mas a 36Kr descreveu o montante como “dezenas de milhões de yuans”, o que equivale a múltiplos milhões de dólares americanos dependendo da faixa considerada.

Reflexos para o mercado industrial

Para fabricantes de equipamentos no Brasil, o movimento é um sinal de pressão competitiva crescente. O país não produz SiC em escala industrial e importa praticamente todos os componentes de potência de alta performance. Se a tecnologia desenvolvida pela empresa investida pela Skyworth for adotada em escala, o custo dos wafers de SiC deve cair nos próximos anos, barateando inversores e drives para o mercado global. Empresas brasileiras do setor de energia renovável e automação industrial seriam beneficiadas pelo lado da compra, mas seguiriam sem capacidade de produção local do insumo.

O padrão atual de perda por corte em plantas comerciais de referência, como as operadas pela Wolfspeed nos Estados Unidos e pela Rohm no Japão, ainda está acima de 60 mícrons nas linhas de produção em massa.

Marcelo Costa
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Marcelo Costa é redator especializado em conteúdos voltados ao universo empresarial, industrial e de engenharia. Com experiência na produção de textos informativos e analíticos, atua na cobertura de notícias relevantes do setor produtivo, acompanhando tendências, movimentações de mercado e avanços tecnológicos que impactam diretamente empresas e profissionais da área. Seu trabalho é focado em transformar informações técnicas e dados complexos em conteúdos claros, objetivos e úteis para o dia a dia de empresários, gestores e operadores. Ao longo de suas publicações, busca não apenas informar, mas também contextualizar os acontecimentos, destacando oportunidades, riscos e mudanças que podem influenciar decisões estratégicas. No blog, Marcelo aborda desde atualizações do cenário industrial até inovações em engenharia, novos investimentos, fusões, aquisições e mudanças regulatórias. Seu compromisso é entregar conteúdo confiável, direto ao ponto e alinhado com a realidade de quem vive o mercado na prática.

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