A Câmara Municipal de Itaiópolis, cidade de médio porte no Planalto Norte de Santa Catarina, aprovou um projeto para a criação de um polo industrial em área equivalente a 67 campos de futebol. O investimento previsto para desapropriação dos terrenos é de R$ 8 milhões, recursos que a prefeitura vai direcionar à aquisição de áreas privadas para viabilizar a infraestrutura do empreendimento. A iniciativa é uma aposta deliberada do poder público local para atrair empresas, diversificar a economia e gerar empregos formais em um município historicamente dependente do setor madeireiro e do agronegócio.
Polo planejado, não improvisado
O projeto não prevê apenas a compra de terrenos. A proposta envolve um polo industrial estruturado, com zoneamento adequado, infraestrutura logística, saneamento e acesso viário planejados, o que diferencia a iniciativa da instalação desordenada de indústrias que marcou o crescimento de várias cidades do interior brasileiro. Esse modelo atrai com mais facilidade investidores de médio e grande porte, que exigem previsibilidade regulatória e infraestrutura mínima antes de comprometer capital.
Santa Catarina já possui um dos parques industriais mais diversificados do país, com presença nos setores metal-mecânico, têxtil, alimentício, plástico e de tecnologia. Itaiópolis se insere nessa cadeia a partir de uma posição geográfica com acesso a rodovias estaduais e proximidade com Mafra e Canoinhas, municípios com histórico industrial consolidado na região.
Descentralização industrial no interior
O movimento de Itaiópolis acompanha uma tendência que ganhou força depois da pandemia de Covid-19. Empresas passaram a buscar alternativas às grandes regiões metropolitanas, onde os custos operacionais, a pressão logística e a concorrência por mão de obra encarecem a operação. Municípios menores respondem com terrenos mais baratos, disponibilidade de trabalhadores e pacotes de incentivos fiscais atrelados à geração de empregos.
Esse fenômeno de descentralização não é exclusivo de Santa Catarina, mas o estado reúne condições que ampliam as chances de sucesso dessas iniciativas: ambiente regulatório favorável, cultura empreendedora consolidada e infraestrutura de transporte razoável mesmo fora dos grandes centros. Para municípios como Itaiópolis, a criação de um polo estruturado pode atrair não apenas indústrias âncora, mas também fornecedores e prestadores de serviços que compõem cadeias produtivas complementares.
O projeto foi aprovado pela Câmara Municipal, e os R$ 8 milhões previstos para desapropriação representam o primeiro passo concreto para tirar o polo do papel. A extensão da área, equivalente a mais de 480 mil metros quadrados, é compatível com a instalação de múltiplas unidades industriais de diferentes portes.

