Seis em cada dez indústrias brasileiras registraram aumento nos custos operacionais por causa dos gastos com segurança no transporte de cargas. O dado é da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e foi divulgado em 9 de junho de 2026. O percentual de 62% reflete um problema que vai além da criminalidade nas estradas: ele mede o quanto a fragilidade logística do país corrói diretamente a margem das empresas, encarece produtos e reduz a capacidade competitiva da indústria nacional.
O encarecimento logístico atinge indústrias de diferentes portes e segmentos, de alimentos e bebidas a fabricantes de bens de capital. As regiões mais afetadas são as que concentram maior volume de movimentação industrial, especialmente os corredores rodoviários do Sudeste e do Nordeste, onde a incidência de roubos de carga é historicamente mais alta. Para as empresas que operam nesses eixos, os gastos com rastreamento de frotas, escolta armada, seguros e sistemas de monitoramento passaram a compor uma parcela relevante dos custos fixos de operação.
Pressão sobre preços e exportações
Quando o custo logístico sobe, o efeito em cascata é imediato. Parte desse custo é repassada ao preço final ao consumidor; outra parte comprime a margem do produtor. Para as indústrias exportadoras, o problema é ainda mais grave: o encarecimento interno reduz a competitividade do produto brasileiro no mercado externo, em um momento em que o câmbio e os custos de energia já pressionam a cadeia produtiva.
A CNI tem levado a pauta de segurança no transporte ao governo federal com foco em três frentes: ampliação do policiamento em rodovias federais, estímulo à adoção de tecnologias de rastreamento e revisão dos custos do seguro de carga, que oneram desproporcionalmente as pequenas e médias empresas industriais, geralmente sem poder de barganha para negociar apólices mais favoráveis.
Um custo estrutural, não conjuntural
O levantamento da CNI não trata de um pico pontual. A segurança no transporte é uma despesa que se tornou permanente no planejamento das indústrias brasileiras. Empresas do setor já incorporaram ao orçamento linhas específicas para escolta, monitoramento e apólices de seguro ampliadas, o que significa que esse custo, mesmo que o cenário de criminalidade melhore, dificilmente será eliminado no curto prazo.
O Brasil perdeu, em 2023, mais de R$ 1,2 bilhão em cargas roubadas, segundo dados da NTC & Logística, entidade que representa o setor de transporte rodoviário de cargas. O número serve de parâmetro para entender a dimensão do problema que 62% das indústrias ouvidas pela CNI dizem sentir diretamente no caixa.

