A Janicki Industries, fabricante americana de componentes de alta precisão em materiais compostos, escolheu o estado de Montana para instalar uma nova planta industrial com investimento de 800 milhões de dólares, cerca de 4 bilhões de reais. A decisão, anunciada no início de junho de 2026, surpreendeu o setor porque a empresa havia sinalizado interesse no Magic Valley, região central do Idaho com histórico de atração industrial, antes de redirecionar o projeto para um estado vizinho com perfil econômico bem diferente.
Uma empresa de nicho com clientes de peso
Fundada em 1993 e sediada em Sedro-Woolley, no estado de Washington, a Janicki Industries ocupa um segmento específico da manufatura americana: estruturas e componentes em materiais compostos para aplicações que exigem precisão extrema. Entre seus clientes estão a NASA, a Boeing e empresas do setor de veículos espaciais privados. A empresa também atende defesa, energia e construção naval. Esse portfólio coloca a Janicki em uma cadeia produtiva estratégica que os Estados Unidos têm buscado fortalecer e relocalizar desde a pandemia.
A expansão em Montana representa um dos maiores aportes privados na indústria manufatureira do estado nos últimos anos. Montana tem economia historicamente ancorada em mineração e agropecuária, com pouca densidade industrial no segmento de manufatura avançada. A chegada da Janicki muda esse cenário com potencial de geração de milhares de empregos diretos e indiretos.
Por que Montana ganhou e Idaho perdeu
A competição entre estados americanos por grandes investimentos industriais se intensificou desde 2022, impulsionada por legislações federais como o CHIPS and Science Act e o Inflation Reduction Act, que criaram incentivos fiscais e subsídios para empresas que produzem em solo americano. A lógica é simples: quem oferece mais terreno barato, isenções tributárias e velocidade burocrática leva o projeto. Montana aparentemente superou o Magic Valley nesses critérios, embora os termos específicos do acordo com o governo estadual não tenham sido divulgados.
O caso reacende um debate recorrente nos Estados Unidos sobre o custo dessa disputa para os estados que perdem. O Idaho havia mobilizado recursos para atrair a Janicki, e o redirecionamento do investimento para Montana deixa a região do Magic Valley sem o projeto que esperava. Esse tipo de competição entre entes federados também é observado no Brasil, onde a guerra fiscal entre estados para atrair montadoras, data centers e plantas farmacêuticas segue sem solução estrutural.
Referência para políticas de atração de investimento
Para analistas de política industrial, o movimento da Janicki é um exemplo concreto de como empresas de manufatura avançada estão redistribuindo capacidade produtiva dentro dos próprios Estados Unidos, priorizando custo operacional menor e disponibilidade de área para instalações de grande porte. O fenômeno serve de referência para países que disputam esses mesmos investimentos no plano global, incluindo o Brasil, que tenta posicionar estados como Goiás, Minas Gerais e Paraná como destinos para plantas industriais de alta tecnologia.
A Janicki Industries faturou, segundo dados públicos disponíveis, centenas de milhões de dólares nos últimos anos com contratos governamentais e privados no segmento aeroespacial e de defesa. A nova planta em Montana será sua maior instalação individual até hoje.

