A Petrobras anunciou corte de R$ 0,3515 no preço do diesel vendido às distribuidoras, com vigência a partir de 1º de junho de 2026. A redução é uma resposta direta ao retorno da cobrança do PIS/Cofins sobre combustíveis, tributos federais que haviam sido desonerados em período anterior como medida de contenção inflacionária. Sem a compensação da estatal, a reoneração tributária seria repassada integralmente ao preço final nas bombas.
Com o corte, o preço de referência do diesel na refinaria passa a ser de aproximadamente R$ 3,30 por litro. O ajuste segue a política de Paridade de Preços Internacionais, adotada pela Petrobras desde 2023, que busca equilibrar competitividade com garantia de abastecimento interno, com reajustes graduais em vez de correções abruptas.
Custo logístico e indústria no centro do efeito
O diesel é o combustível mais consumido no Brasil, responsável por mais de 50% do volume total de combustíveis no país. Esse dado reflete a dependência da economia brasileira do modal rodoviário de cargas, o que faz de cada variação no preço do produto um evento com consequências diretas para transportadoras, mineradoras, construtoras e agroindústrias.
Para o setor industrial, o impacto vai além do custo do frete. O diesel compõe o chamado Custo Brasil e alimenta índices de inflação ao produtor, como o IPA, que integra o cálculo do IGP-M. Uma alta não compensada no preço do combustível pressiona margens em toda a cadeia produtiva, do transporte de matérias-primas à entrega do produto acabado ao cliente final.
A medida evita, na prática, que o retorno dos tributos federais se converta em pressão adicional sobre os custos industriais num momento em que o ambiente econômico já exige atenção ao controle de despesas operacionais. O corte não amplia a margem das empresas, mas impede que ela se estreite por conta da política fiscal.
A decisão foi tomada pela estatal com sede operacional em Brasília e Rio de Janeiro, mas seus efeitos se distribuem por todo o território nacional. O preço de R$ 3,30 por litro na refinaria entra em vigor em 1º de junho de 2026.

