Santa Catarina registrou 45 mil novas empresas abertas entre janeiro e março de 2026, volume que supera o recorde do mesmo período de 2025 e coloca o estado entre os mais ativos do país em geração de negócios. O dado chama atenção porque coincide com um ciclo de juros elevados: a taxa Selic permaneceu em patamar restritivo ao longo de 2025 e no início deste ano, encarecendo o crédito e, historicamente, desestimulando a criação de empresas e o investimento produtivo.
Quem está abrindo essas empresas
O perfil dos novos empreendedores diferencia esse resultado da média nacional. Mulheres e jovens com até 31 anos lideram as aberturas no estado, o que aponta uma mudança geracional no empreendedorismo catarinense. Esse grupo tende a concentrar-se em micro e pequenas empresas, que por sua vez ampliam a base de fornecedores, clientes e parceiros disponíveis para a indústria local nos setores de manufatura, tecnologia, logística e serviços industriais.
Por que SC vai na contramão
Florianópolis, Joinville e Blumenau funcionam como polos de atração de negócios com ecossistemas de inovação já consolidados. A infraestrutura logística do estado, a mão de obra qualificada e as políticas estaduais de desburocratização têm operado como contrapesos ao ambiente macroeconômico adverso. Enquanto o crédito caro reduz o apetite de investidores em grande parte do Brasil, Santa Catarina sustenta fatores estruturais que atenuam esse efeito.
Para a indústria organizada, o crescimento no número de empresas cria tanto oportunidade quanto demanda institucional. A FIESC, entidade que representa o setor no estado, enfrenta o desafio de integrar esse contingente de novos negócios às cadeias produtivas já estabelecidas, que cobrem têxtil, metal-mecânico, plástico e tecnologia. Sem programas de capacitação e acesso a linhas de crédito diferenciadas, uma parcela dessas empresas tende a não sobreviver ao primeiro ano, dado que a taxa de mortalidade de micro e pequenas empresas no Brasil segue elevada mesmo em estados com ambiente favorável.
O recorde de abertura de empresas em SC no primeiro trimestre de 2026 ocorre enquanto o Banco Central mantém a Selic em nível que pressiona o custo do capital para pessoa jurídica em todo o país.

