Um levantamento sobre os efeitos econômicos da PEC que propõe o fim da escala 6×1 aponta que o varejo de Campinas (SP) precisaria desembolsar R$ 416 milhões adicionais para manter o funcionamento normal do comércio local dentro da nova carga horária. O estudo estima que seriam necessárias cerca de 10 mil contratações para cobrir os turnos hoje operados no modelo atual, o que elevaria substancialmente a folha de pagamento das empresas do setor na cidade.
Campinas concentra mais de 3 milhões de habitantes na região metropolitana e registra um dos maiores PIBs do interior paulista. A cidade abriga plantas de multinacionais como Bosch, Samsung e Stellantis, além de centros de distribuição e operações logísticas que funcionam em regime contínuo, muitas vezes sob o mesmo modelo de escala que a PEC pretende extinguir. Para essas operações, uma mudança constitucional no regime de trabalho exigiria reestruturação de turnos e aumento direto nos custos com mão de obra.
Pressão sobre a indústria vai além do varejo
O impacto no comércio é mensurável, mas a indústria carrega uma exposição adicional. Plantas fabris que operam em ciclos contínuos dependem da escala 6×1 para manter a produção sem interrupções, e qualquer reorganização de turnos implica contratar mais trabalhadores ou pagar mais horas extras. Num ambiente de câmbio pressionado e incerteza tarifária internacional, o aumento do custo com pessoal afeta diretamente a competitividade das exportações brasileiras.
A discussão ganhou tração nacional a partir de 2024, impulsionada por movimentos nas redes sociais e por pressão de centrais sindicais. O governo e o Congresso passaram a encomendar estudos formais sobre os efeitos de uma mudança dessa natureza, mas as análises regionais ainda são escassas. O levantamento sobre Campinas é um dos poucos que traduz o debate em números concretos para um território específico, o que o torna referência para gestores industriais e associações patronais que acompanham a tramitação da PEC.
O que o número de Campinas revela
R$ 416 milhões representa o custo adicional apenas para uma cidade, ainda que de grande porte. Projetar esse valor para outros polos industriais e comerciais do país, como São Bernardo do Campo, Sorocaba, Uberlândia ou o ABC paulista, dá dimensão do que uma aprovação sem período de transição poderia representar para a folha de pagamento nacional. Sindicatos patronais do varejo e da indústria já sinalizaram ao Congresso que qualquer implementação abrupta inviabilizaria o modelo operacional de setores inteiros.
A PEC ainda tramita no Congresso sem data definida para votação. O custo estimado para Campinas equivale a cerca de 4% do orçamento anual do município, segundo dados da Prefeitura de Campinas referentes a 2024.

