A Mitsubishi Heavy Industries Thermal Systems anunciou em 30 de outubro de 2025 dois novos modelos de bombas de calor ar-água com refrigerante natural R290 (propano) para o mercado europeu. O R290 tem potencial de aquecimento global (GWP) igual a 3, contra valores superiores a 2.000 dos refrigerantes sintéticos HFC convencionais.
Pressão regulatória como motor do desenvolvimento
O lançamento responde diretamente às restrições impostas pela regulamentação F-Gas da União Europeia, que proíbe progressivamente o uso de gases fluorados de alto GWP em sistemas de aquecimento e refrigeração. A norma revisada nos últimos anos obriga fabricantes a migrarem para fluidos naturais como propano, amônia e CO₂, e a MHI posiciona os dois novos modelos como solução técnica dentro desse prazo regulatório.
A escolha do propano não é casual. O R290 combina baixíssimo impacto climático com alta eficiência termodinâmica, características que o tornam competitivo frente aos HFCs mesmo sem os incentivos regulatórios. A MHI já ocupa posição relevante no mercado global de sistemas de climatização e bombas de calor industriais, o que lhe confere escala para absorver os custos de adequação técnica exigidos pelo manejo de fluidos inflamáveis como o propano.
Sinal de tendência para o mercado industrial brasileiro
Embora o lançamento seja voltado ao mercado europeu, o movimento de um fabricante do porte da MHI acelera a difusão dessa tecnologia globalmente. No Brasil, segmentos como refrigeração industrial, processos térmicos e sistemas de utilidades em plantas fabris tendem a incorporar essas especificações técnicas nas próximas rodadas de compra e atualização de equipamentos, à medida que fornecedores globais padronizam suas linhas em torno dos refrigerantes naturais.
A regulamentação brasileira sobre gases fluorados ainda não impõe restrições equivalentes às europeias, mas o país é signatário do Protocolo de Quigali, emenda ao Protocolo de Montreal que prevê a redução gradual dos HFCs até 2047. Com fabricantes como MHI já comercializando equipamentos com GWP 3 em mercados maduros, a pressão por atualização tecnológica no parque industrial nacional deve crescer antes mesmo de qualquer mudança normativa local.

