Índia abre caminho para empresas chinesas após cinco anos de restrições

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Em uma virada significativa de política econômica, a Índia avança na flexibilização das restrições que mantinham empresas chinesas afastadas de contratos governamentais e investimentos estratégicos no país.

O Ministério das Finanças indiano está finalizando uma proposta para eliminar as barreiras que, na prática, impediram as empresas chinesas de participar de licitações públicas nos últimos cinco anos, uma mudança que sinaliza uma reconfiguração das relações econômicas entre Nova Deli e Pequim.

O pano de fundo da tensão entre os dois países remonta a 2020. As restrições foram implementadas em julho daquele ano, logo após um conflito letal entre tropas indianas e chinesas no Vale de Galwan.

Por meio de uma alteração nas Regras Financeiras Gerais, o governo indiano passou a exigir que licitantes de países com fronteira terrestre se registrassem em uma comissão designada e obtivessem autorizações políticas e de segurança, o que, na prática, desqualificou as empresas chinesas de um mercado de contratos públicos estimado entre US$ 700 bilhões e US$ 750 bilhões por ano.

A justificativa para a mudança agora é pragmática. Vários departamentos governamentais, especialmente os que supervisionam os setores de energia e indústria pesada, sinalizaram restrições significativas.

O setor de energia foi especialmente vocal ao observar que as limitações às importações chinesas desaceleraram a expansão da capacidade termelétrica, que a Índia pretende ampliar para cerca de 307 GW na próxima década.

A reaproximação vai além dos contratos públicos. Os requisitos para investimento estrangeiro nos setores de energia renovável e fabricação de eletrônicos também serão flexibilizados.

Pequim e Nova Deli pretendem ainda estabelecer uma plataforma bilateral de consulta comercial em nível ministerial e facilitar a liquidação direta em rúpias indianas e yuans chineses.

O anúncio, contudo, não foi bem recebido por todos. As ações de grandes empresas nacionais de bens de capital e engenharia, como Bharat Heavy Electricals Limited, Larsen & Toubro e Siemens, registraram quedas na bolsa indiana à medida que investidores avaliavam a perspectiva de uma concorrência renovada por parte das estatais chinesas.

A movimentação integra um contexto geopolítico mais amplo de recomposição das relações entre as duas maiores populações do mundo e sinaliza que, para a Índia, as necessidades de desenvolvimento econômico começam a superar as cautelas diplomáticas impostas após o conflito fronteiriço de 2020.

Caio
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Caio é empreendedor e fundador do Galpão das Máquinas, a maior plataforma online de compra, venda e divulgação de equipamentos industriais no Brasil. Com mais de 20 de experiência prática no setor de máquinas e equipamentos, atua diariamente acompanhando fabricantes, importadores e revendedores.

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