A decisão alcança impacto concreto porque integra toda a cadeia produtiva de papel tissue, desde a celulose até o produto final, ampliando a geração de valor agregado e exportações. Isso pode resultar em 700 empregos diretos na operação, além de dinamizar a economia local.
Conviver com limitações regulatórias e restrição de matérias-primas foi o ponto de partida do projeto. O avanço da demanda internacional, especialmente da Argentina, encontra no Uruguai gargalos de disponibilidade de terras florestais e concentração produtiva em poucas empresas que produzem insumos e não produtos finais. O objetivo da Amberplan passa por contornar essa dependência e acessar diretamente os mercados consumidores, atuando além do fornecimento de matéria-prima bruta.
A análise para definir onde instalar a planta considera três vetores essenciais: proximidade com matéria-prima florestal, disponibilidade de água — fundamental para processos industriais desse porte — e logística favorável para abastecimento do mercado argentino. Estas decisões respondem diretamente aos custos de transporte e acesso a recursos que, historicamente, afetam competitividade no setor.
A região central do país foi selecionada após avaliação geográfica e infraestrutura existente, visando viabilizar tanto suprimento regular de insumos quanto acesso eficiente a portos e fronteiras. O modelo também avalia oportunidades em zonas francas e possíveis incentivos por meio da classificação como projeto de interesse nacional, reduzindo custos tributários.
O diferencial da fábrica da Amberplan está em integrar em um único ambiente industrial a produção de celulose e sua conversão direta em papel tissue — papel higiênico, papel-toalha e guardanapos. Neste sistema, a celulose em estado líquido segue diretamente para as linhas de fabricação do produto acabado, sem passar por secagem ou prensagem, etapas presentes nos processos convencionais.
Essa abordagem elimina necessidade de secadores de grande porte, reduzindo consumo energético e custos operacionais. O resultado é uma instalação com estrutura mais simples, economia expressiva em energia térmica e diminuição do uso de água e derivados químicos vinculados à secagem do produto. Atualmente, a empresa já opera esse modelo em Montevidéu, onde mantém linha de produção integrada para itens de uso doméstico.
Apesar das vantagens industriais, o avanço do projeto está direcionado a um debate sobre expansão de áreas florestais, imprescindível à matéria-prima da nova fábrica. O setor florestal uruguaio enfrenta pressões regulatórias quanto à ampliação da cobertura florestal, já que novas plantações geram discussões políticas e ambientais. A disponibilidade limitada de terras adequadas exige negociação contínua com órgãos de governo e pode impor limites ao ritmo de expansão da capacidade produtiva.
Os custos de ajuste regulatório e a necessidade de planejamento de longo prazo podem adiar o cronograma, impactando tempo de retorno sobre o investimento e a criação de empregos previstos.
A instalação de uma unidade como esta, capaz de processar 144 mil toneladas/ano sem etapas intermediárias, agrega um novo paradigma ao setor industrial uruguaio. O modelo pode servir de referência para futuras plantas e estimular a migração de outros players para formatos integrados, influenciando estratégias de exportação sobretudo para mercados regionais.
Além dos ganhos de eficiência, o projeto fortalece o posicionamento do Uruguai em cadeias produtivas de valor agregado, reduzindo dependência de exportações primárias e promovendo inovação em gestão industrial.

